TBR Friday #5

abril 04, 2014


Bom Norte

"Este livro retrata de uma maneira profunda o dia-a-dia de uma cidade.
Tentei criar e imaginar cidadãos que vivem aguardando uma solução que tarda, elevar o negro asfalto à condição de salvador.
Sofri com a saudade, dei voz a cidadãos anónimos, naveguei pela minha fantasia. 
Neste livro a personificação do nosso povo descarrega nas minhas frases e fotografias o desabafo e o seu choro.
Descrevo e dou jeito às mágoas dos profissionais descontentes, e tento compreender a beleza incompreendida.
Preferi mostrar esta minha versão triste da sociedade. Pois este estado clama pela beleza escondida.
Sei que este livro poderá ser diferente da maioria dos livros de poesia. E talvez até seja uma mais-valia para a nossa cultura.
Irão porventura gostar do meu tipo de escrita, já que é feita ao correr da pena.
Este livro é o meu mundo, é a minha criança inventiva.
Baseei-me, em personagens da minha infância, em cidadãos vulgares, em crianças que me rodeiam, em cartas que imagino, e dou a conhecer pessoas pouco conhecidas que estão escondidos dos nossos olhos.
Os lugares retratados, são lugares do meu quotidiano, lugares que me levam a sonhar." 

Os Filhos de Anansi
Os Filhos de Anansi, de Neil Gaiman

Em Os Filhos de Anansi conta a história de dois irmãos radicalmente diferentes que se conhecem por ocasião da morte do pai: Charlie, inseguro e banal; e Spider, herdeiro dos poderes mágicos paternos. O confronto entre os dois vai mudar para sempre os seus destinos e o facto do pai não ser humano, mas antes Anansi, um deus africano caótico e endiabrado, vai revestir a narrativa de um carácter fantástico como só Gaiman sabe conceber, fruto da sua prodigiosa imaginação.

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0 comentários

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.