quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Portão do Harém, de Katie Hickman - Opinião [Estampa]

Título: O Portão do Harém
Título Original: The Aviary Gate
Autora: Katie Hickman
Editora: Editorial Estampa
Ano de Publicação: 2009
Número de Páginas: 352

Já tinha este livro na minha mira há algum tempo, mas o seu ambiente, ao mesmo tempo que me seduzia, repudiava-me. Não estava pronta para ler um livro tão longe dos meus lugares comuns; apesar de por vezes o fazer, prefiro voltar sempre a portos seguros. Penso que não poderia ter escolhido melhor altura para ler O Portão do Harém, pois senti-me bem na viagem para Istambul, e tornou-se uma leitura bastante boa.

A história deste livro é uma história dentro de outra história. Perdoem-me a repetição, mas é algo assim. Temos Elizabeth Staveley, do presente, que investiga a vida de Paul Pindar, um rico mercador inglês na Istambul de finais do século XIV, e Celia Lamprey, sua noiva, que se julga perdida no mar, mas que afinal se encontra presa no harém do sultão. A história de Elizabeth não é muito interessante, sendo até previsível... mas a de Celia, é um mundo completamente diferente. Uma narrativa bela, carregada de perfumes e sabores de um sítio tão longínquo, espacial e temporalmente. Seguimos a vida de Celia com uma atenção cuidadosa, perdemo-nos nos labirintos do harém, e somos apanhados consigo em teias e conspirações. Uma escrita simples mas muito bonita, que nos mantém presos página após página.
As personagens estão magistralmente criadas - entenda-se, as do século XIV, pois as do presente são aborrecidas. Elizabeth é um pouco irritante, com uma personalidade com a qual não me consegui sensibilizar. Eve, sua amiga, é estranha, e do rol que nos é apresentado na actualidade, apenas a dona de casa em Istambul é que tem algum interesse, que não é explorado. Mas de volta ao harém... é um regalo. Vamos descobrindo as personagens e os seus passados aos poucos, juntando peças aqui e ali, pessoas julgadas mortas afinal estão vivas, entre outras reviravoltas. Tudo faz sentido, e nada é deixado ao acaso.
É, até, um pouco estranho, que Katie Hickman consiga criar dois ambientes tão próprios e tão diferentes um do outro, mas com uma diferença na qualidade da história brutal. Parece que estamos perante uma obra escrita a duas mãos, o que não se verifica, claro. Esqueçam o presente e mergulhem até esta Istambul, tão ricamente trazida à vida.
O final não deixa de ser também muito misterioso, com uma certa dúvida a pairar no ar, dúvida essa que, apesar de ser uma certeza, nos permite ainda fantasiar com o que ficou por contar. É uma triste história de amor, que se despede de nós com um sorriso nos lábios.

Não podia deixar também de referir o maravilhoso trabalho que a autora teve com este livro: onze anos de investigação e três de escrita. Só poderia sair algo com tanta qualidade como a que detém.

Aconselho, claramente, O Portão do Harém; a parte histórica deste romance é fantástica, e a história maravilhosa. Uma desculpa perfeita para nos perdermos numa Istambul, também ela, já perdida.

2 comentários :

  1. Ois :)

    "Aconselho, claramente, O Portão do Harém; a parte histórica deste romance é fantástica, e a história maravilhosa. Uma desculpa perfeita para nos perdermos numa Istambul, também ela, já perdida."

    Bem estou a ver que é de leitura obrigatória, muito bem :D

    Bjs

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