Um Conto, Um Ponto #17: Piano Surdo, de Olinda P. Gil

maio 04, 2014

Piano Surdo
Título: Piano Surdo
Autora: Olinda P. Gil
Editora: Smashwords
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 14

Conto que retrata a loucura de uma pianista após um acidente que a deixou surda.

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Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler algo da autora Olinda P. Gil, e a Maratona Literária de autores portugueses revelou-se a ocasião ideal para enveredar por alguns dos seus contos.
Comecei por este, Piano Surdo, que desde cedo me deixou maravilhada. A escrita é muito bonita e muito poética, e toda a história está repleta de uma tragicidade que é quase romântica. A pianista, a personagem que a autora criou, é bastante interessante e eu, que namoro com um pianista, consegui sensibilizar-me rapidamente com toda a tristeza que emana de cada página.
Algumas partes deste conto fizeram-me lembrar do filme Paixão Imortal (Immortal Beloved), mas gostei da ligação (intencional ou não) entre um e outro. O desespero de tocar com a cabeça pousada no piano, o desespero de sentir o toque da campainha com a cabeça encostada à porta.

Desespero, paranóia, tristeza profunda, dor. Sentimentos que, bem escritos, me prendem sempre às páginas, e Piano Surdo assim o fez.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.