Um Conto, Um Ponto #20: Eternas Palavras, de Pedro Cipriano

junho 08, 2014

Eternas Palavras
Título: Eternas Palavras
Autor: Pedro Cipriano
Editora: -
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 7

Todos os livros que lembram a história de um Portugal unido são proibidos e Rui é um funcionário encarregado de os queimar em praça pública. Ao levar um desses livros para casa, está prestes a mudar a sua vida...

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Eternas Palavras foi um conto que eu gostei, mas que me soube a pouco. Sei que é um pouco cliché dizer-se isto de um conto, mas é a verdade. Queria continuação, queria mais, queria saber o que acontece a Rui depois de tal acto impensado. A nível de história, pouco mais há a dizer: um tema interessante, a modos que actual, que mexe com qualquer leitor (o horror de queimar livros!).
Mas, para mim, o melhor deste conto é mesmo a mestria de Pedro Cipriano na sua escrita. Depois de ter ficado a conhecer o autor com A Era Dourada, Eternas Palavras veio de encontro às minhas expectativas, com uma escrita rica e que se lê maravilhosamente bem. O autor é, sem dúvida, um ainda pequeno vulto a ser seguido com atenção, pois tem todos os ingredientes necessários para vir a tornar-se um grande nome.

Leiam, que vale bem a pena!

(Para quem nunca leu Pedro Cipriano, então aconselho que comecem com A Era Dourada. Apesar de o autor ter mais trabalhos, eu só conheço estes dois, e penso que A Era Dourada é uma introdução melhor e mais completa a Cipriano do que Eternas Palavras).

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.