O Pequeno Herói, de Dostoievski - Sinopse & Opinião

agosto 27, 2014

Título: O Pequeno Herói
Título Original: Маленький герой
Autor: Dostoievski
Editora: Publicações Europa-América
Ano de Publicação: 2007
Número de Páginas: 67

O retrato de uma criança na qual a súbita adolescência acorda as dolorosas e cândidas contradições de Eros; um retrato de uma infância sensível e silenciosa, mas também da descoberta do amor e do despertar dos sentidos.

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Há nomes que permanecerão intactos com o decorrer das eras, e Dostoievski é sem dúvida nenhuma merecedor desse lugar de destaque. O Pequeno Herói foi escrito numa altura em que o autor esperava, literalmente, a morte, tendo sido salvo à última da hora, com o conto pronto para ser publicado, o que só veio a ser feito após a sua morte, em 1857.

Estamos perante um conto simples, ingénuo e trágico, sobre um rapazinho que descobre o amor quando se apaixona por uma mulher. Maior parte da narrativa é apenas a contar uma história, sendo a crítica restrita a apenas umas páginas - pelo menos, a mais directa. Isto é bom, pois por vezes estes grandes nomes escrevem páginas incontáveis a criticar elegantemente (ou não) tudo e mais alguma coisa, o que por vezes pode tornar a leitura um pouco mais lenta e monótona. Neste caso tal não se verifica, o que torna a leitura de O Pequeno Herói bastante leve e fácil de assimilar.

Um conto tão pequeno, repleto de inocência aliada a intimidade com um significado tão palpável quanto profundo. Uma excelente maneira de conhecer Dostoievski. O seu único defeito é o do costume: é muito pequeno.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.