A Filha da Profecia, de Juliet Marillier - Opinião

setembro 25, 2014

A Filha da Profecia (Trilogia de Sevenwaters, #3)
Título: A Filha da Profecia
Título Original: Daughter of the Prophecy
Série: Trilogia de Sevenwaters
Autora: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Ano de Publicação: 2003
Número de Páginas: 480

Ler A Filha da Profecia, mesmo sendo uma re-leitura, era algo que ansiava há imenso tempo. O facto de, durante esta leitura, ter tido noção que chegava ao fim da trilogia que até hoje mais me marcou e sabendo que afinal há uma continuação, tornou-a de certo modo tensa, pois apesar de adorar cada página, a verdade é que tenho algum receio de ler os restantes volumes da agora saga.

Neste livro de Sevenwaters, sem dúvida o mais obscuro até agora, Fainne é-nos apresentada como uma heroína trágica e amaldiçoada, dotada de grandes poderes mas forçada a usá-los para derrubar tudo o que é bom na floresta, e não só. Os seus sacrifícios e a sua dor evocam constantemente Sorcha, ambas tão ímpares mas com um espírito de bonomia tão semelhante. O que realmente diferencia Fainne das anteriores heroínas é o sentimento de não-pertença, de ser uma das filhas de Sevenwaters e ao mesmo tempo não ser. Gostei de ver a presença de personagens trazidos de livros anteriores, personagens que se revelam fulcrais no desenlace de toda a trama.
Com uma história tão negra e pautada por situações cruéis, quase que esperava um final no mesmo tom. Apesar de ter gostado de como terminou, não sei até que ponto seria igualmente bom algo mais trágico. Mesmo assim, a incerteza e o medo imperam até às últimas páginas, tornando o fim muito emocionante e bonito. E... injusto. É verdade, quem leu sabe ao que me refiro. Depois de tantos esquemas, mentiras e verdades, desilusões e alegrias, nem um único pedido de desculpas.

Uma das coisas que mais me custou em A Filha da Profecia foi a morte de um dos personagens. Toda a esperança em torno da sua triste história se desmorona repentinamente com a sua morte, que dez anos depois eu já não recordava. Tenho também pena que a personagem de Sibeal não tivesse sido mais desenvolvida. Compreendo que a história não gira em torno de si e que é apenas uma criança, mas mesmo assim gostava que tivesse um papel (ainda) mais relevante. E sim, A Vidente de Sevenwaters é a sua história, mas compreendam que para mim estes três livros serão sempre uma trilogia, acabada!, e o que vem depois é um bónus. À luz da minha primeira leitura, este ponto de vista era perfeitamente válido.

Um misto de tristeza, alegria e confusão, quando fechei as páginas do livro. Alegria, por tudo o que Sevenwaters e Juliet Marillier significam para mim. Tristeza, por dizer adeus a um belo mundo. Confusão, por saber que afinal há mais, e temo não gostar, ou não gostar tanto, apesar de ansiar a leitura dos restantes.
Não posso deixar de realçar a força das palavras de Juliet. É normal que os livros nos façam sonhar e alhear de tudo, mas a forma como os livros desta autora nos transportam para outras dimensões é simplesmente fantástico. A maneira como as suas histórias nos envolvem e nos levam...é mágica, e até hoje poucos escritores conseguiram fazer-me sentir o mesmo.

A Filha da Profecia e o mundo de Sevenwaters é mais do que leitura obrigatória. Não leiam, porém, de ânimo leve: têm de ter noção que vão ler algo de maravilhoso e sublime, que vos fará elevar a fasquia em futuras leituras, tornando difícil encontrar escritores tão prendados como Juliet, lugares tão apetecíveis como Sevenwaters, personagens tão marcantes como as apresentadas e histórias tão belas e tristes como as contadas.

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1 comentários

  1. Ois miga,

    Faço minhas as tuas palavras / recomendações, é pura magia, algo que nos marca para sempre :)

    Bjs

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.