sábado, 15 de novembro de 2014

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, de Maurice Druon - Opinião [Marcador]

O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada (The Accursed Kings, #1)
Título: O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada
Título Original: Le Roi de Fer
Série: Os Reis Malditos
Autor: Maurice Druon
Editora: Marcador
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 503

Tenho de dar o braço a torcer no que toca à escolha deste livro. A recomendação dada por George Martin foi decisiva, com a simples frase "esta é a Guerra dos Tronos originais". Quando este afirma que Maurice Druon é o melhor romancista histórico desde Alexandre Dumas, estava eu já ansiosa por começar a leitura e mergulhar nesta França dominada por Filipe, o Belo.

Descobri mais tarde que este livro é, na verdade, composto por dois volumes da série original, Os Reis Malditos (Les Rois Maudits). O Rei de Ferro é o primeiro, A Rainha Estrangulada o segundo. A história é difícil de explicar sem me tornar bastante extensa, pois está recheada de conspirações, traições, artimanhas e reviravoltas. No primeiro volume conhecemos uma França entre os séculos XIII e XIV, governada por Filipe o Belo, onde o Tesouro real está a zero e os amigos e inimigos da Coroa, pelos mais variados motivos,  fazem tudo o que podem para rechear ou esvaziar os cofres do reinado. Com o fim do reinado de Filipe, o reino mergulha cada vez mais num caos, encabeçado por um rei incapaz e desprovido de privilégios. Assim começa A Rainha Estrangulada, com querelas graves no reino e mais uma série de conspirações e segredos obscuros.
Este livro é, de facto, um dos melhores romances históricos que alguma vez li. A maneira como Maurice Druon conta a história obriga o leitor a querer mais, a suspirar pelo que aí vem, numa batalha consigo próprio entre o querer ler rápido para saber rápido o desenrolar dos acontecimentos e ler devagar e apreciar cada página. Apesar da densidade histórica da narrativa, lê-se incrivelmente bem e é uma leitura com a qual podemos aprender alguma coisa. O rigor da história parece-me bastante preciso, e isto é apenas um ponto a mais neste fantástico livro.
As personagens são apresentadas de uma maneira muito bem conseguida, o que, em romances históricos, nem sempre é muito fácil, pois a História em si trata de caracterizar os eternos. Mas tanto n'O Rei de Ferro como n'A Rainha Estrangulada as personagens são dinâmicas e voláteis, permitindo-nos vaguear entre sentimentos de amor-ódio em relação a si. As que mais me marcaram foram apenas três, do rol enorme que desfila pelas páginas. Filipe, o Belo, a sua nora, Margarida de Borgonha e o conde Roberto d'Artois. Filipe, por ser uma personagem absolutamente fascinante e misteriosa; Margarida, pelo simbolismo do amor e da liberdade (reconhecendo, claro, o aspecto negativo); e Roberto também pelas suas dúbias acções.
Momentos importantes e muito bem escritos, cativantes... mas nenhum me custou tanto como a morte de Filipe, o Belo. Apesar de anunciada na sinopse, apesar de esperada, queria mais sobre a personagem, e a sua partida, se bem que necessária, foi-me prematura.

Ainda não consegui ver nenhuma ligação entre Os Reis Malditos e As Crónicas de Gelo e Fogo, mas confesso desde já que não a vou procurar, sequer. A recomendação de George Martin foi suficiente e provou-se valiosa; penso que não faz sentido fazer qualquer tipo de comparação entre os dois livros.

Entretanto descobri que esta série já teve direito a ser adaptada para o pequeno ecrã, o que não deixa de ser interessante. No entanto, espero conseguir ler os sete volumes antes de ver a sua adaptação.

Se gostam de romances históricos, leiam este magnífico livro. O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada vale por si só, sem ser necessária qualquer recomendação de gigantes. Um livro soberbo, uma narrativa maravilhosa sobre um período importante da Idade Média, que influenciou bem mais do que um país.

2 comentários :

  1. Também gostei bastante :) Eu consigo ver as ligações no sentido de ninguém ser bom nem mau, percebemos bem as motivações de cada um. Acho que o Littlefinger foi inspirado no Marigny, a prece da Arya lembra muito a prece do Grão mestre e mais algumas coisas. Acho que é mais pela intriga política :) Espero que publiquem os próximos volumes da saga. Beijos

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    1. Sim Catarina, vendo bem tens razão. Mas mesmo assim, vou tentar manter as comparações entre uma e outra o mais longe possível :)

      Estou como tu! Espero que continuem a publicar a saga.

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)