terça-feira, 18 de novembro de 2014

Saída de Emergência - Entrevista a Sónia Louro - Pt. III

Terceira Parte
Pessoa e a Cultura

Uma pergunta difícil: para o poeta que disse “A minha pátria é a língua portuguesa”, como acha que Pessoa veria a cultura lusófona nos dias de hoje?

A cultura lusófona não tem no mundo o peso de uma cultura anglófona, mas cada vez temos mais autores portugueses traduzidos, temos um prémio Nobel da Literatura e, sobretudo, o peso de Fernando Pessoa nessa mesma cultura é imenso, é uma referência e é também um símbolo da mesma. Portanto, acho que a cultura lusófona nos dias de hoje agradaria bastante a Fernando Pessoa.

Como veria o poeta Pessoa a cidade atual de Lisboa?

Lisboa ainda tem muito de antigo. Creio que a rua dos Douradores, dos Correeiros, toda essa baixa que Fernando Pessoa calcorreou ainda mantém muito do que ele conheceu. E a luz… A luz de Lisboa é única no mundo e essa mantém-se; e toda a nostalgia, o desespero, a desesperança terão sido sentidos, vistos e escritos sob essa luz… Há algo de especial na luz de Lisboa e essa é a mesma.

E o mundo?

Creio que a vida e o mundo andam hoje a uma velocidade demasiado rápida para que ele a pudesse acompanhar. Por outro lado, as redes sociais e a internet no geral ter-lhe-iam permitido participar em encontros, dar opiniões sem precisar estar fisicamente presente. Penso que ele teria gostado dessa parte da modernidade…

Crê que Fernando Pessoa iria gostar do romance?

É difícil vermo-nos refletidos no espelho quando a imagem refletida, embora real, não é a que gostaríamos.

Das gravuras, desenhos, pinturas e algumas fotografias, como interpretaria o olhar de Fernando Pessoa?

Triste, melancólico… podia ser um fado.

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