domingo, 16 de novembro de 2014

Teremos Sempre Paris, de Ray Bradbury - Sinopse & Opinião [Bizâncio]

Teremos Sempre Paris
Título: Teremos Sempre Paris
Título Original: We'll Always Have Paris: Stories
Autor: Ray Bradbury
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 196

Em Teremos Sempre Paris - uma selecção de contos inéditos - o inimitável Ray Bradbury encanta-nos de novo com a sua prosa fluente e cantante. Imagina coisas extraordinárias e observa com especial acutilância as fraquezas humanas, as pequenas falhas de carácter. Maravilha-nos com a magia que durante anos dominou e sempre tão presente esteve na sua escrita. Seja explorando as diversas possibilidades do renascimento, seja analisando as circunstâncias que podem fazer de qualquer homem um assassino ou, uma vez mais regressando a Marte, Bradbury revela-nos um mundo a que ficamos presos. Os seus contos são eternos. Teremos sempre Ray Bradbury.

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Quando vi este livro pela primeira vez, não me chamou muito à atenção, até que passaram alguns dias e me lembrei o que me era familiar neste livro: o nome do autor! Já tinha lido boas recomendações acerca de Ray Bradbury, e então decidi ler estes contos.

Mais do que um conjunto de contos, Teremos Sempre Paris são momentos íntimos do autor, captados por palavras. É impossível dizer se um conto é bom ou mau, tão intrínseco se torna ao coração de Bradbury, passando inevitavelmente a alojar-se no leitor. Podemos identificar-nos com alguns contos e com outros não, mas todos eles nos ficam, pois são pequenas explosões que aconteceram, que ficaram registadas e que para sempre caminharão em cada pessoa que tenha oportunidade de os ler.
Não consigo evitar deixar-vos aqui o prefácio escrito pelo próprio autor, em que justifica tudo o que acabei de dizer.

"Os contos aqui reunidos foram criados por duas pessoas: o eu que observa e o eu que escreve.
Estes dois seres que coexistem dentro de mim têm vivido sob um letreiro pendurado por cima da minha máquina de escrever há mais de setenta anos: Não penses, faz.
Não pensei em nenhum destes contos: são explosões de ideias a que não consegui resistir; outras vezes, são pequenos impulsos que fui ajudando a crescer.
O meu preferido é "Massinello Pietro", porque me aconteceu há muitos anos, quando tinha vinte e poucos anos e vivia em casas alugadas na baixa de Los Angeles. Eu e Massinello Pietro tornámo-nos amigos, e tentei protegê-lo da polícia e ajudá-lo, quando foi levado a tribunal. O conto inspirado por esta amizade tem inúmeros aspectos que basicamente correspondem à realidade, e só tive de o escrever.
Os outros contos foram surgindo ao longo da minha vida - desde a juventude, passando pela meia-idade, até à velhice. Foram tudo, cada um por si, uma paixão. Todos foram escritos pela necessidade que senti de os escrever. Para mim, escrever um conto é como respirar. Observo: fico com uma ideia, apaixono-me por ela e tento não pensar demasiado nela. E depois escrevo: deixo a história escoar-se para o papel o mais depressa possível.
Deixo-vos, pois, com as obras das duas personagens que vivem sob a minha pele. Algumas podem surpreender-vos. E isso é bom. Muitas delas surpreenderam-me a mim quando me apareceram à frente a pedir para nascer. Espero que gostem. Não pensem demasiado sobre elas. Tentem apenas ter tanto amor por elas como eu.
Aqui as deixo, à vossa disposição."

Uma viagem de proporções épicas espera-se, depois de um prefácio tão revelador como este. E é de facto uma leitura surreal, com contos que nos vão maravilhar e outros que nos deixarão com dúvidas. Mas cada qual merece o seu espaço e ganha a nossa atenção. As minhas escolhas recaem no conto que dá o nome ao livro, Teremos Sempre Paris, e em Os Reincarnados. duas belíssimas histórias. Claro que há contos que não me agradaram tanto - contos que é preciso ler mais do que uma vez para perceber a história e mesmo assim não é fácil - mas, tal com Bradbury pede, tentamos apenas ter tanto amor por essas histórias como ele.

Podem ler o primeiro conto, Pares, aqui, disponibilizado pela Bizâncio.

A verdade é que não sabia o que esperar deste livro quando o comecei a ler. Desconhecia o mundo do autor e o seu caminho, logo a leitura seria uma experiência nova e o resultado imprevisível. Sei agora que o autor é fenomenal, embora nem sempre seja fácil de ler. No entanto, recomendo vivamente os seus contos, para quem quer ler algo diferente da regra e enveredar por mentes enigmáticas e com um quê de brilhante. Teremos Sempre Paris é uma bonita recordação de Ray Bradbury, que faleceu quatro anos depois de ter escrito o prefácio que vos apresentei, um dos melhores que li até hoje.

2 comentários :

  1. Olá,

    Registada a recomendação, li "Algo Maligno Vem Ai " e gostei muito :)

    bjs

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    Respostas
    1. A recomendação do autor foi precisamente tua :)

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)