domingo, 29 de março de 2015

A História do Ladrão de Corpos, de Anne Rice - Sinopse & Opinião

A História do Ladrão de Corpos (As Crônicas Vampirescas, #4)
Título: A História do Ladrão de Corpos
Título Original: The Tale of the Body Thief
Série: Crónicas Vampirescas
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 467

A descrição do vampiro Lestat, feita por ele mesmo, pode não combinar com o tipo físico de um Tom Cruise, Daniel Day-Lewis, Hutger Rauer, Jeromy Irons e até Sting foram sondados para o papel de Lestat, no filme inspirado no livro Entrevista com o vampiro, de que 'A história do ladrão de corpos' é continuação. Só que, agora, Lestat pode mudar completamente. Um desconhecido que o persegue em vários lugares do mundo - Veneza, Hong Kong, Miami, Londres e Paris - propõe a troca de seu corpo com o do vampiro. É a oportunidade de Lestat sentir as sensações de um mortal. É a chance de Raglan James experimentar os poderes de um imortal. Esta é uma história contemporânea, passada no final dos anos 80, inclusive no Rio de Janeiro. Depois de alcançar o sucesso durante sua curta carreira de cantor de rock, Lestat se enfronha no candomblé e espiritismo, pelas mãos de David Talbot, um amigo mortal que recusa sua oferta de sangue negro. Torturado por seu amor, suas dúvidas e sua solidão secular, Lestat sonha ser humano outra vez. Ver o sol, beber e comer como qualquer outra pessoa.

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Ao ler as Crónicas Vampirescas, chega-se a um ponto em que é impossível parar. Tem de se continuar a ler e entrar em cada livro e em cada história e em cada personagem. Desta vez, deparamo-nos com Lestat e a sua obsessão com tudo o que é humano, a necessidade de se sentir assim outra vez. Mas será o Ladrão de Corpos de confiança? Um pequeno spoiler, mas tão óbvio que nem chega a ser. Não.

"Esta é uma história contemporânea. É um volume das Crónicas Vampirescas, não tenham dúvida. Mas é um primeiro volume realmente moderno, pois aceita o absurdo assustador da existência desde o começo e nos leva à mente e à alma do seu herói - adivinhem quem? - para suas descobertas."

Assim Lestat descreve A História do Ladrão de Corpos, uma narrativa cheia de acção e com reviravoltas surpreendentes. O seu desejo de ser constantemente desafiado é tão grande que não resiste a mudar de corpo com Raglan James e a voltar a ser um humano belo e, sobretudo, vivo. Desde comer a ir à casa de banho, a ver a luz do sol ao sexo - Lestat experimenta tudo e descreve-nos as suas novas experiências de uma forma bastante divertida mas, também, amargurada. Porque, ao fim e ao cabo, é Lestat, e a sua vida é de eterna beleza e sofrimento.
Apesar de prevermos como será o final da história, Lestat consegue surpreender-nos com um acto de egoísmo tão grande que nos obriga a parar a leitura e a deixar escapar um uau. O que ele faz é fulcral para os seguintes livros, e apesar de eu saber que ia acontecer (não leiam as sinopses dos próximos livros), não imaginava que seria da maneira que foi. Muito bem pensado, Anne.
Um dos momentos mais fortes do livro é o confronto entre Lestat enquanto humano e Louis. É um momento muito triste das Crónicas, e não sei até que ponto é que não terá repercussões negativas nos próximos volumes. O silêncio dos restantes personagens que já nos são queridos é também perturbador, mas talvez seja explicado nos livros seguintes (pelo menos o silêncio de Armand é justificado em Memnoch, o Demónio).
E depois temos uma nova personagem, Mojo! Deliciosa decisão de Anne Rice ao incluir Mojo na história. É um ponto de equilíbrio e de ternura importantíssimo.

Há um factor bastante importante e cada vez mais presente nestas Crónicas. Anne Rice não se limita a imaginar umas histórias de vampiros, em que este transforma aquele e depois decide não se submeter a nada nem ninguém e faz o que quer... Anne imprime uma filosofia enorme nos seus livros, verdadeiras discussões teológicas, e isso é algo que, quem não conhece a série, tem de ter em conta. Eu não sabia, e até agora está a ser uma revelação bastante interessante. Leva-nos, de facto, a pensar.

Mais uma vez, Anne Rice consegue um romance fantástico e escrito de tal forma que revela toda a sua mestria. Leitura mais que obrigatória. Lestat volta a brilhar, em todo o seu esplendor, enquanto vampiro e enquanto humano. A presença de Claudia testa os seus limites, de loucura e de crenças. Não deixem de ler.


"Só os mortos sabem como é terrível estar vivo."

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