A Rainha dos Condenados, de Anne Rice - Opinião

março 19, 2015

A Ler
Título: A Rainha dos Condenados
Título Original: The Queen of the Damned
Série: Crónicas Vampirescas
Autora: Anne Rice
Ano de Publicação: 2009
Número de Páginas: 429

Ansiosa, ansiosa, ansiosa. Era assim que me sentia quando comecei a ler A Rainha dos Condenados, com muitas expectativas depois da forma abrupta como O Vampiro Lestat acabava. O facto de já ter visto o filme mas de pouco me recordar intensificava ainda mais a minha ânsia de devorar a história.

E que história. A Rainha dos Condenados é precisamente isso: história. Quatrocentas páginas de longa história. Ao início senti-me defraudada e desiludida, pois queria saber o que iria acontecer a Lestat, ansiosa de ver Akasha ganhar vida. Mas depois percebi que estava a ser pouco sensata e que essa história era necessária e bem-vinda. Uma explicação para a criação do universo de Anne Rice. Apesar de se dar num momento da série que faz de si um anti-clímax, a verdade é que a história é precisa e é deliciosa. Por mais frustrados que nos deixe.
A Rainha dos Condenados leva-nos até ao Antigo Egípcio, de onde Akasha e Enkil são originários, assim como Maharet e Mekare, as gémeas. A forma como a vida destes quatro se cruza dita a origem dos vampiros, e a partir daí começamos a perceber melhor como funciona este mundo e algumas das suas personagens. Ao mesmo tempo, no presente, Akasha decide fazer de Lestat o seu príncipe e eleva-o a patamares nunca antes sonhados. Isso leva à quase total destruição da raça, o que é outro (grande) problema. A história da criação é fantástica, e plausível dentro da sua fantasia. Há uma lógica irreprimível na criação dos vampiros, na sua destruição, de como estão ligados. Anne Rice mostra-se brilhante.
Neste volume somos presenteados também com verdadeiro desfile de vampiros: Louis, Armand, Marius, eternos nas crónicas de Anne Rice, assim como seres mais antigos e fugazes, e mais novos também. Todos têm um lugar neste livro, e todos acabam por ganhar um lugar no nosso círculo literário. São personagens mágicas e inesquecíveis. E Lestat, que é uma das melhores coisas do mundo. Não sei ao certo o motivo que levou Anne Rice a criar Akasha como a criou, com o seu sonho louco de justiça e vingança. Apesar de ser uma personagem interessante, não deixa de ser uma criatura infantil e estúpida, cega e limitada. Mesmo assim, é hipnotizante.

Um dos pontos altos da escrita sensual e poderosa de Anne Rice é a forma como esta nos apresenta os mais variados dilemas e quase inconscientemente nos força a pensar e reflectir. Neste volume grande parte dessa reflexão vem com a personagem de Akasha, mas também encontramos algo na Lenda das Gémeas, Maharet e Mekare.

Como referi anteriormente e como provavelmente sabem, este livro tem uma adaptação ao cinema. Aliás, o filme deveria ser uma adaptação deste livro e do anterior, mas para quem leu os livros e viu o filme, sabe que isso é uma valente mentira. E nem se trata do senso comum que nos diz que o livro é melhor do que o filme - não. O filme usa os mesmos nomes das personagens e uma ou duas ideias do livro. De resto, não podia ser mais diferente. De qualquer das formas, fica aqui o trailer, pois se se esquecerem que é adaptado, não é um filme tão mau quanto isso (o pior é mesmo esquecer que é adaptado):
A banda sonora é fantástica também!

Não leiam A Rainha dos Condenados só por ler. Apesar de se ler bem - o livro tem as explicações necessárias nas referências que faz aos anteriores volumes -, todo o universo criado por Anne Rice é tão sublime que merece ser todo ele lido. Desde o volume um até ao último (um dia hei-de lá chegar). A cada livro que passa, cada vez me convenço mais que Anne Rice é uma leitura obrigatória para todo o tipo de leitores.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.