Jonas Vai Morrer, de Edson Athayde - Sinopse & Opinião [Chiado Editora]

março 16, 2015

Jonas Vai Morrer
Título: Jonas Vai Morrer
Autor: Edson Athayde
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 152

Um quase-policial de Edson Athayde

“Todas as novelas têm um novelo. Todos os crimes têm o seu repertório de culpas. Autores de folhetins, em específico, e criminosos, em geral, trapaceiam ao revelar sempre o que interessa, um truque para esconder o que importa. A dissimulação é o vento que sopra na vela desta galera, o combustível dessa nave. Entre se quiser, acomode-se num canto. A viagem não vai ser tranquila”.
“Neste surpreendente romance quase tudo o que parece não é”.

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Jonas Vai Morrer veio parar às minhas mãos por pura coincidência. Ao escolher um livro do catálogo da Chiado para o passatempo de Natal, a capa cativou-me e ao ler a sinopse pareceu-me bastante interessante. Não resisti a pedir um exemplar para mim, ansiosa para descobrir mais sobre este livro com uma premissa misteriosa e uma capa linda (mais uma vez, as capas). O facto de ter sido escrito no âmbito de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura foi também um factor de peso.

Jonas Vai Morrer conta, na verdade, duas histórias: a de Pedro, funcionário num lar psiquiátrico, e a de Jonas e o seu amigo, relatada num caderno perdido. Felizmente temos o relato de Jonas, pois Pedro é simplesmente aborrecido.
Pedro é uma personagem cansativa: sem objectivos, sem sentimentos, em constante perda de si próprio. Nada nos liga a si, e então aparece o lunático 32 com a oferenda do caderno com a história de Jonas. E cedo nos apaixonamos por si. Apesar de sabermos que vai morrer, não conseguimos ficar-lhe indiferentes. Uma vida boémia e boa; uma vida abrupta. Mas afinal de que Jonas vai morrer? O que é feito de si, ou do seu amigo, que narra a história? Quem é o paciente 32, quem é Pedro? Esqueçam todas as suposições que possam fazer durante a leitura - vão estar todas erradas.
Edson Athayde foi uma surpresa para mim. Com uma escrita profunda e poderosa, surpreendentemente divertida, este livro agarrou-me desde cedo. Com capítulos curtos e fantásticos, que me faziam sempre ler apenas mais um, era curtinho, era rápido, e depois não conseguia parar. Uma pérola de escrita.
A apontar também o aspecto gráfico do livro, que está simplesmente brutal. Muito boa aparência, com conteúdo ainda melhor. Apesar de sentir que lhe falta algo para ser uma obra perfeita, Jonas Vai Morrer tem todos os ingredientes para ser um livro que merece ser lido e relido.

Mal acabei de ler, recomendei-o a outra pessoa que também o começou a ler. Desde cedo gostou também da narrativa, e a surpresa quando descobriu a verdade sobre Jonas foi hilariante.

Uma boa aposta de leitura. De facto, tudo o que parece não é; Jonas Vai Morrer vai colocar à prova o vosso raciocínio e mesmo assim deixar-vos completamente frustrados quando esse raciocínio for provado errado. Comprovem por vocês mesmos! Uma leitura que vale realmente a pena.

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4 comentários

  1. Viva miga,

    Confirmo depois de ler o teu comentario, vou ler o livro ;)

    Bjs e boa semana

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  2. Esse não, amigo Edson. Qualquer dia vou a Lisboa e tomo-lhe um autógrafo. Quero o direito de tê-lo assinado. Abr. Leo.

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    1. Caro Anónimo,

      Não compreendi o seu comentário. Se quiser explicar, sinta-se à vontade!

      Cumprimentos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.