O Vampiro Armand, de Anne Rice - Opinião

setembro 26, 2015

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Título: O Vampiro Armand
Título Original: The Vampire Armand
Série: As Crónicas Vampirescas
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2000
Número de Páginas: 372

A aventura pelas deliciosas crónicas de Anne Rice continuou com a leitura de O Vampiro Armand. Uma personagem que me passava um pouco ao lado, e da qual queria saber mais... só não estava preparada para tamanha aventura. É verdade que depois de Memnoch, uma parte de mim sentiu que as Crónicas pouco mais podiam espevitar dentro de mim, e este volume provou-me completamente enganada.

Para quem leu o livro anterior, sabia o que esperar de parte do desfecho desta obra. Mais não posso adiantar, mas certamente que as ânsias são muitas no que toca a esta leitura. Armand vem até nós como um jovem russo, perdido na vida e no seu próprio ser. É salvo por Marius, em todo o seu esplendor, e a partir daí na sua jornada pela eternidade somos confrontados com, mais uma vez, sérios dilemas morais que destroçam e fortalecem o nosso herói. Armand cresce a cada página e senti-me inevitavelmente rendida a si.
Anne Rice descreve uma história extremamente bem desenhada e que deixa o leitor satisfeito. A vida de Armand em Kiev é distante e confusa, mas a autora dá-lhe um desfecho real e emotivo, não deixando pontas soltas. A altura que Armand partilha com Marius em Veneza, tanto mortal como imortal, é uma delícia para os sentidos literários. Mágico, intenso, repleto de beleza, mistério e encanto... sem dúvida a minha parte favorita do livro. Torna-se complicado explicar o porquê de uma parte nos marcar tanto, mas é tão simples quanto isto. É literatura no seu melhor.
E não, o - meu eterno - Lestat não está esquecido neste novo volume. Continua presente, e é no seu silêncio que as palavras são ditas e relembradas.
Escrito de uma forma brilhante, poucas palavras lhe fazem justiça. Admito que possa haver passagens um pouco mais difíceis de ultrapassar, uma vez que a relação entre Marius e Armand é por vezes delicada, mas com o génio de Anne Rice isto pouco conta.

Ultimamente, ao ler Anne Rice, tem-me acontecido algo curioso... os primeiros capítulos não me cativam por aí além, e de um momento para o outro dou por mim completamente obcecada com o livro e a pensar nele todos os momentos em que estou acordada. E é maravilhoso passarmos por isto com um livro.

Não há nada de errado a apontar a O Vampiro Armand. As recomendações já nem deveriam ser usadas... É leitura obrigatória, e ponto final. Quem ainda lhe resiste... se calhar é porque não o merece ler.

"Somos uma maldição das sombras; somos um segredo. Somos eternos."

Numa última nota... é impossível não nos sentirmos hipnotizados com O Vampiro Armand e Apassionata. Óptima combinação, querida Anne Rice.

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1 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.