A Maldição de Nero, de Paulo Manuel Jesus - Opinião [Chiado Editora]

março 21, 2016

A Maldição de Nero
Título: A Maldição de Nero
Autor: Paulo Manuel Jesus
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2015
Número de Páginas: 550

A Maldição de Nero é uma contradição. É dos livros mais frustrantes que alguma vez li: a história é fantástica mas o livro acaba por se tornar... simplesmente mau. Vamos por partes.

Desde as primeiras páginas que adivinhamos uma leitura complicada, pois o livro está muito mal pontuado. Nem falo acerca dos erros ocasionais [que não são desculpáveis], mas sim da pontuação que nos dificulta a leitura. Vírgulas e mais vírgulas... custa um pouco a adaptar. Ao longo do livro, embora com tendência a  ser cada vez menos frequente, torna-se também cansativa a pequena obsessão do autor pelos olhos da personagem principal, Joana. Entendemos das três primeiras vezes que os seus olhos são fantásticos, não é preciso usar isso em todas as ocasiões que os olhos dela entram na história. Isto leva-me ao último ponto, que é precisamente Joana. É, na minha opinião, uma personagem muito má, simplesmente porque me parece um pouco totó. Mais do que a sua inércia em relação a alguns acontecimentos, as suas reacções e atitudes são completamente irrealistas. Se lerem o livro vão entender o que eu quero dizer: quem passa por situações semelhantes às suas não aceita as coisas de ânimo tão leve.

E agora vocês perguntam: mas o livro é assim tão mau? É só coisas más? E eu respondo... não. O problema é esse! A Maldição de Nero tinha tudo para ser um livro fantástico, mas o que acabei de explicar fez com que a leitura desta obra não fosse tão aprazível como deveria ser. A história é simplesmente fantástica. Todo o desenvolvimento da narrativa é bastante inteligente e acaba por se tornar uma história viciante, repleta de acção. As personagens (tirando Joana e talvez Geena, que me parece assim um bocado parvinha também) são muito bem construídas e as relações que estabelecem entre si, assim como a história de cada uma, são brutais. São personagens extremamente bem trabalhadas e que dá gosto ao leitor de conhecer uma a uma.
Apesar de ser um livro grande e a forma como foi escrito não ajudar, lê-se relativamente bem, assim que nos adaptamos à sua escrita. Os capítulos são curtos e intensos, e deixam-nos sempre a ansiar por mais. Torna-se difícil de pousar, pois só queremos ler a história de uma assentada! Mesmo a nível histórico, não sendo eu perita no assunto, parece-me muito bem explorado e é de apreensão fácil.
Outro ponto a favor deste livro é a forma como Paulo Jesus nos ambienta em diferentes sítios. A sensação com que ficamos é que realmente passeamos pelas ruas de Roma, pelas ruas de Guimarães... são descrições vívidas e sentidas, que nos transportam verdadeiramente para outros cenários e outros mundos.
Preparem-se também para algumas reviravoltas bastante interessantes: revelações de determinadas pessoas, as histórias de algumas personagens, e, sobretudo... quem é o homem que seguiu Joana até Roma?

Portanto, apesar de uma leitura que à partida tem tudo para ser complicada, a verdade é que A Maldição de Nero é um livro muito bom, com uma história fantástica. Tenho mesmo muita pena da forma como foi escrito, pois sinto que perdeu mesmo muito. Espero sinceramente que haja oportunidade de haver uma segunda edição, melhor revista, pois vale certamente a pena!

A Maldição de Nero leva-nos numa viagem de séculos, repleta de desafios e com uma história brilhante. Quem se atreve a acompanhar Joana e descobrir a resposta para tantos mistérios?

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2 comentários

  1. Olá Nádia,
    gostei de seu comentário, e q pena q o livro é mau escrito, pois a premissa é muito boa, fiquei com vontade de ler o livro, mas aguardarei uma nova edição,como vc disse!

    Abraços e boas leituras!

    http://imaginacaodeumablogueira.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Olá Amanda,

      Espero sinceramente que haja uma segunda edição, pois pela história em si, realmente merece :)

      Obrigada pela visita! Beijinhos!

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.