Cabaret, de Lily Prior - Opinião [Bizâncio]

março 18, 2016

Cabaret
Título: Cabaret
Título Original: Cabaret: A Roman Riddle
Autora: Lily Prior
Editora: Editorial Bizâncio
Ano de Publicação: 2006
Número de Páginas: 220

Há já bastante tempo que queria conhecer os mundos de Lily Prior e finalmente essa oportunidade concretizou-se com este Cabaret. Tinha tudo para me agradar: humor negro, um cabaret decrépito, o mistério atrás do qual uma jovem mulher não queria que o seu marido desaparecido voltasse para a sua vida. Tinha tudo para me agradar mas... algo não encaixou a 100%.

A história de Cabaret é sobre Freda (e não sobre um cabaret propriamente dito) e a sua vida (esta sim, poderá ser vista como um cabaret, com tantas peripécias e situações estranhas): como a sua adolescência foi tragicamente marcada pela morte da mãe, o seu trabalho numa funerária, o cruzeiro onde conheceu Alberto, o seu marido agora desaparecido, e o seu amor por Pierino, o papagaio que decidiu desaparecer também com Alberto. A sucessão dos acontecimentos é bastante interessante e de facto o leitor fica submerso na vida da personagem mas... Freda em si não me cativou. Há alguma coisa nela que me fez ficar algo desapontada com o livro. Talvez a sua apatia, o seu estado de... letargia face ao mundo que a rodeia. O seu relacionamento com Alberto é demasiado estranho para eu o poder aceitar como um dado adquirido.
Confesso que a sensação com que fiquei é que não percebi alguma coisa durante a narrativa, que justificasse determinadas acções e situações. O detective encarregue do caso, a natureza dos bonecos de Alberto, o final... senti-me mesmo perdida no meio de tantas questões e com a sensação que me escapou algo que não me permitiu compreender na totalidade Cabaret.
No entanto, nem tudo é nevoeiros e interrogações com esta obra. Lily Prior mostrou-se uma autora capaz de manter o leitor preso nas suas páginas, através de outras personagens deliciosas e ao mostrar o seu condão de humor negro. Uma das minhas personagens favoritas foi a companheira de viagem de Freda, decrépita e obsessiva, um exagero na realidade, mas que animou sem dúvida a história.

É uma leitura que acaba por ser divertida, devido às personagens e peripécias que se vão desenrolando... apenas não esperem grandes respostas. Não deixa, no entanto, de ser uma introdução a Lily Prior bastante curiosa, pois permite-nos ver a sua qualidade enquanto autora e, ao mesmo tempo, deixa-nos na dúvida quanto aos ambientes dos seus restantes trabalhos: será tudo tão misterioso e sem conclusões satisfatórias como Cabaret?

Cabaret, um romance italiano com requintes mórbidos e de situações levadas ao extremo... quem se atreve?

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.