Demónios de uma Mansão, de Francisco Meneses Pereira - Opinião [Chiado Editora]

abril 15, 2016

Demónios de Uma Mansão
Título: Demónios de uma Mansão
Autor: Francisco Meneses Pereira
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2015
Número de Páginas: 274

Com uma capa muito bonita e uma sinopse promissora, estava muito curiosa com este livro. Apesar de tudo, as expectativas não eram muito altas - o que tornou, talvez, o resultado bem mais satisfatório.

Demónios de uma Mansão conta a história de uma família inglesa (pai, mãe e três filhos) que se mudam para uma mansão em Portugal. Mas esta mansão esconde um segredo, e nas suas aventuras, os três irmãos acabam por tropeçar nesse segredo e a partir daí as coisas nunca mais são as mesmas. A história é interessante, no entanto senti que a parte inicial é bastante melhor do que a final. No início do livro, a acção vai sendo construída de uma forma bastante calma, mas que eu pessoalmente estava a adorar. Está muito bem escrito, e por isso estava a dar-me muito gosto conhecer melhor as personagens e o ambiente que as rodeava do que propriamente descobrir onde estavam os demónios. Quando os três irmãos encontram o segredo, é de cortar a respiração: as descrições são fantásticas, e realmente aterradoras, bem melhor do que muitos filmes de terror que por aí andam. Mas depois do aparecimento de Eva, sinto que o entusiasmo esmoreceu um pouco. Talvez pela reacção dos irmãos à sua presença ser fácil demais, ou talvez porque não percebi bem o seu desenvolvimento - na perseguição era uma criança pequena, e agora é uma adolescente? E a passagem do tempo? Isto fez-me arrefecer um pouco a leitura, mas, mesmo assim, chego ao fim e posso dizer que é um bom livro, sem dúvida alguma.
As personagens são muito queridas. William e Muriel caem um pouco no estereótipo de casal feliz, ele com uma postura muito digna e ela com uma postura recatada e doce, porém ansiosa para viver aventuras - mas é um estereótipo que nos cai bem e que nos faz chegar ao final da história com alguma raiva. Os três filhos, Michael, Gabriel e Raphael são três adolescentes normais, mas que também crescem em nós, pois são personagens que facilmente nos conseguem conquistar, cada uma à sua maneira. O meu maior problema foi mesmo com Eva... senti que precisava de ser melhor trabalhada.
E para quem gosta de emoções fortes, aqueles últimos capítulos são... bem, é impossível ficar-lhes indiferente. Confesso que não esperava aquele desfecho, chegando mesmo a sentir uma pontinha de revolta. É tão injusto! Quanto ao capítulo mesmo final, sinceramente penso que seria dispensável. Mais uma vez temos algo que deixa a história em aberto, mas eu prefiro pensar que as aventuras na Mansão acabaram e que viveram felizes para sempre.

Demónios de uma Mansão é uma daquelas pequenas pérolas que anda por aí escondida e que merecia mais notabilidade. É sempre um prazer poder ler os nossos escritores quando estes nos presenteiam com uma imaginação larga acompanhada de uma bela escrita. Os meus parabéns a Francisco Meneses Pereira, está aqui uma boa obra! Leiam, que não se vão arrepender.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.