Os Limites do Encantamento, de Graham Joyce - Opinião

agosto 23, 2016

Os Limites do Encantamento
Título: Os Limites do Encantamento
Título Original: The Limits of Enchantment: A Novel
Autor: Graham Joyce
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2005
Número de Páginas: 328

Já há muito tempo que queria ler este livro de Graham Joyce. Depois de duas experiências fantásticas com o autor, pude finalmente ler esta obra, e as expectativas eram imensas. Se calhar, foi por isso que Os Limites do Encantamento não me conquistou por completo. Eu esperava algo que me abalasse, me deixasse sem ar depois da leitura, e não foi isso que aconteceu. Malditas expectativas!

A história é... interessante, no todo. Embora eu esperasse um ambiente mais rústico e medieval, somos transportados até à década de 60, onde as então inovações e avanços científicos ameaçavam acabar com as tradições da medicina tradicional e popular. Seguimos de perto o dia-a-dia de Fern, filha de uma curandeira, e a sua luta com o estigma de ser quem é, a diferença na sua educação e os seus demónios pessoais. Esperava algo mais mágico, e não a forma como Fern cresce e se desenvolve, a forma como aprende a ver o mundo à sua volta, a sua descoberta enquanto mulher, enquanto adulta e enquanto pessoa. Esperava algo mais... encantado.
A própria Fern também ficou aquém de me apaixonar. Não é fácil de criar empatia com a personagem, pois é bastante ingénua e, mesmo contextualizando a época, não senti aquela ligação, não me senti próxima da sua vida.
No entanto, estamos a falar de Graham Joyce - e o autor nunca desilude. Estamos perante uma história escrita no masculino e narrada por uma voz feminina, e em ponto algum a raiz máscula do autor vem à superfície. A forma como se liga com cada uma das personagens, como as faz viver através das páginas... A Mammy Cullen, uma personagem fantástica. E depois temos toda uma parte da história em que o real e a magia se misturam e nos confundem, testando os nossos próprios limites do encantamento. Para que lado pendemos nós, leitores?

Apesar de não considerar o seu melhor livro, Os Limites do Encantamento vale bem a pena uma leitura. Graham Joyce é um autor que nunca desaponta, com magia nas palavras e narrativas fortes - um escritor que, definitivamente, é de leitura obrigatória.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.