sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A Fazenda Blackwood, de Anne Rice - Opinião

A Fazenda Blackwood (As Crônicas Vampirescas, #9)
Título: A Fazenda Blackwood
Título Original: Blackwood Farm
Série: Crónicas Vampirescas
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2004
Número de Páginas: 540

Mais um livro de Anne Rice, mais uma leitura que eu esperava prazerosa e completamente fantástica. Mas, desta vez, a minha querida autora decidiu trocar-me as voltas.

A Fazenda Blackwood conta a história de Tarquin Blackwood, um vampiro jovem que procura a ajuda do eterno Lestat para se livrar do seu fantasma de estimação, cuja sede de sangue e violência crescente assustam Quinn. E quando eu digo "a história de Tarquin Blackwood"... é mesmo a história de Tarquin Blackwood. Tudo. Até à exaustão. T-u-d-o.
Este livro custou-me a ler pois simplesmente não conseguia encontrar aquele ritmo de leitura viciante que as páginas de Anne Rice me dão. É demasiada informação, demasiadas coisinhas relativas ao Quinn humano. Umas são interessantes, outras nem por isso. No geral, é bom. Mas é fácil de se perder entre as linhas, com tanto pormenores desnecessários, muitos detalhes prescindíveis. Mais no final, quando voltamos ao presente... bem, para mim, foi altura de me encontrar enquanto leitora de Anne Rice e devorar as páginas. Mas já foi tarde.
Quinn é uma personagem extremamente complexa, algures entre o inocente e o louco, mas que sem dúvida conquista o leitor. Apesar de nem tudo em si ser congruente com a época em que a história é narrada, conseguimos facilmente deixar tudo para trás pois é uma personagem verdadeiramente bem composta. Tememos constantemente as suas acções, tamanha a sua ingenuidade. Dá vontade de agarrar o rapaz pelos ombros e, simplesmente, salvá-lo! Enquanto isto, Lestat é uma presença muda, ainda mais silenciosa que Goblin, o fantasma de estimação. Mas depois entra em cena e... Lestat é simplesmente Lestat. Delicioso, Único. Milagreiro! Lestat entra em cena e salva A Fazenda Blackwood, tanto na narrativa como de facto salva o livro de ter um final apocalipticamente mau para mim. Ao fim de oito volumes, vi-me obrigada a dar quatro estrelas, em vez de cinco. É que a história em si nem é má, mas é narrada a uma voz que dificilmente hipnotiza. As revelações finais são brutais, boas demais, provas de um génio brilhante que se dá pelo nome de Anne Rice. E mais uma vez, a autora presenteia-nos com uma morte inesperada, tão triste, e nós sentimo-nos como Lestat: simplesmente desamparados. Como é que é possível?

Este livro é muitas vezes visto como sendo o início das Crónicas Mayfair. Desconhecendo estas Crónicas, apenas posso dizer que não fiquei com muita vontade de as ler. Provavelmente um dia irei fazê-lo, simplesmente por serem de Anne Rice, mas receio que sejam, novamente, providas de detalhes familiares completamente desinteressantes e descabidos. Quero mesmo saber todos os parceiros sexuais de algumas personagens? Não.

Apesar de qualquer livros das Crónicas poder ser lido separadamente, não aconselho este como primeira leitura. Corre o risco de passar a imagem incorrecta da sua autora, com tanto detalhe aborrecedor. E. ao mesmo tempo, tem uma série de pequenas histórias e mistérios que são absolutamente maravilhosas: a história de quem criou Quinn, e a do seu próprio criador; a história de Tommy; até a de Rebecca. Tanta coisa boa, escondida por trás de tanto detalhe desnecessário.

Um volume mais próxima do final! Não sei se hei-de celebrar ou não...

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