quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman - Opinião

O Oceano no Fim do Caminho
Título: O Oceano no Fim do Caminho
Título Original: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 184

Provavelmente influenciada pelo filme Coraline, sempre pensei que Neil Gaiman estivesse para a literatura assim como Tim Burton está para o cinema - algo obscuro, fantasioso e terrivelmente mágico. Apesar de saber que o filme não tem a mão do realizador, a estética é similar e confesso que nunca li Coraline. São ideias. Esta, em particular, faz-me ter curiosidade em ler os livros de Neil Gaiman - e assim O Oceano no Fim do Caminho figura na minha lista de livros lidos em 2016.

É com sentimentos mistos que escrevo este comentário, pois eu queria mesmo ter gostado do livro. Mas não gostei, pelo menos não gostei mesmo muito. Gostei, apenas.
Primeiro, a história. Depois, as personagens. Por último, os significados. Mas como expressar por palavras o quanto este livro me confundiu e encantou ao mesmo tempo? Mas que raio de história é que li, quem são aquelas mulheres, será o cérebro de uma criança a processar um evento traumático? E... que história fantástica, um hino à infância, com personagens misteriosas e impactantes! Não sei. Não me consigo decidir.

O Mau
Temos uma história contada na perspectiva de uma criança, que descobre uma traição na família e com a ajuda de uma vizinha conseguem mandar o espírito/fantasma/ser/coisa para outra dimensão, mas não sem antes isso tentar levar consigo pedaços do nosso mundo (literalmente). E essa vizinha, com a mãe a a avó, fazem umas espécies de magia e tudo acaba. ? Pronto... a parte fantasiosa da história é compreensível, a criança presenciou algo que a marcou e mascarou a situação sob a forma de algo mágico e incompreensível, algo que sozinha não conseguiria resolver.

O Bom
Temos uma história fantasiosa excelente, fruto da mente de uma criança onde os monstros são reais, têm nomes e podem ser vencidos, junto das pessoas certas. A Velha Sra. Hempstock foi quem mais me marcou, a mais velhinha, a mais ternurenta, a mais forte, a que consegue resolver tudo. Quem consegue deixar de sentir carinho por esta personagem? Quem não a consegue transportar para a realidade, na forma de uma avó, uma tia, uma vizinha?

Chego à conclusão que a história são estas duas coisas, e ao mesmo tempo nada disto. Sinto que deveria ler o livro pelo menos mais uma vez, pois fico com a sensação de que não compreendi o verdadeiro significado das suas palavras. Ou não é para entender? Ou é para ficar ao critério do leitor? Não tenho, no entanto, coragem, tempo e mesmo vontade de o fazer. Talvez num futuro longínquo.
No entanto, uma coisa tenho a certeza: este livro é a infância impressa em papel.

"- Que idade tens, na verdade? - perguntei-lhe.
- Onze.
Pensei um pouco. Então perguntei: - Há quanto tempo tens onze anos?
Ela olhou para mim e sorriu."

Esperava algo mais sombrio e também mais adulto, quase mais palpável, ao ler O Oceano no Fim do Caminho. Se calhar sou eu, que criei uma ideia à volta de Neil Gaiman que não corresponde à realidade. Provavelmente tenho de ajustar as minhas expectativas quanto aos seus restantes livros - porque a vontade de o continuar a ler, mesmo assim, prevalece. Há algo viciante na forma como o autor escreve, mas penso que ainda não me sinto preparada para embarcar nessa aventura.

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