quinta-feira, 24 de novembro de 2016

[Leitura Conjunta] A Hora do Vampiro, de Stephen King - Sinopse & Opinião

A Hora do Vampiro
Título: A Hora do Vampiro
Título Original: Salem's Lot
Autor: Stephen King
Editora: Bertrand Editora
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 516

Ben Mears, um escritor de sucesso, regressa ao Lote de Jerusalém (também conhecido como Lote de 'Salém), no Maine, para escrever um livro acerca da casa que o assombra desde criança. Ao chegar à sua cidade natal, depara-se com um cenário de pesadelo: a cidade, isolada, está infestada de vampiros, que espalham o caos e a morte. Na esperança de conseguir travá-los, Ben Mears consegue reunir um pequeno grupo de pessoas para combater o Mal que invadiu a cidade. 

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Uma leitura conjunta, desta vez internacional e de uma forma como nunca tinha feito antes, dividida em quatro partes. Ora, ler Stephen King é sempre uma boa ideia, e como o Halloween se estava a aproximar, porque não?

A Hora do Vampiro conta a história da cidade de Salem's Lot (nome do título no original e também conhecida por Lote de Jerusalém) e de como uma série de desaparecimentos e mortes a começam a assolar. O escritor Ben Mears regressa à cidade para exorcizar os seus demónios de infância precisamente nessa altura, mas acaba por encontrar algo bem maior do que esperava.
Temos de contextualizar este livro. A primeira vez que viu a luz do dia foi em 1975, ou seja, há 41 anos. Desde então, o terror já mudou bastante, e poucas coisas continuam a assustar-nos como o faziam há quatro décadas atrás. Com isto em mente, é mais fácil de encarar este livro de Stephen King que, apesar do ambiente sombrio, pouco mais faz do que um ligeiro arrepio. Um. Mas isto no lado prático da coisa. Porque, se formos a ver mais a fundo, o terror que se esconde por trás das linhas da narrativa, as pequenas passagens que ficam gravadas... *suspiro*
Em A Hora do Vampiro temos mais uma prova do talento de King a contar histórias de terror. A narrativa começa de uma forma muito lenta, com bastante descrições da cidade e dos seus habitantes, que me fez ficar um bocado exasperada, pois queria mais acção. De repente, já nem me importava. A cidade em si é tão complexa que o meu desejo de sangue deixou de existir. Depois, no meio de factos triviais sobre as personagens, tínhamos um pequeno vislumbre de horror - e depois a história continua, como se nada fosse. Cada um destes pequenos detalhes levou-me a ficar cada vez mais ansiosa para ver a história a ser desenvolvida, e ao ler por fases, a minha ansiedade apenas aumentou. Infelizmente, cometi o erro de procurar a adaptação da série para a televisão, e acabei por ter o maior spoiler de todos, que era quem estava por trás de todos os crimes. Eu sei, rookie mistake, mas nem me lembrei que poderia acontecer. Mesmo assim, não deixou de ser uma boa leitura.

Esqueçam os vampiros bonitos e românticos. Aqui temos vampiros maus, sedentos de sangue, sem escrúpulos e quase sem muita inteligência até, apenas a necessidade de sobreviver. Gostei bastante de ter sido incluído um padre no meio da resistência, e da forma como confronta os vampiros - o velho conflito da posição da religião na luta contra o mal. Gostei da forma como o autor não se inibe de pormenores sórdidos, que vão desde a morte de um cão ao tiro ao alvo de ratos indefesos, desde um bebé cuja mãe lhe bate até ao assassínio dos pais de uma criança à frente desta. Sim, são momentos mórbidos, mas faz tudo parte do dom de Stephen King para contar histórias e deixar-nos inquietos com o seu desenvolvimento.

Os capítulos finais são intensos e brutais. Há muita coisa a acontecer, muitos mortos, que me fez lembrar a expressão caem que nem tordos. Mas foi um final perfeito, bastante... Stephan-y King-y. Um bom livro de terror, onde os clichés não têm lugar e com passagens capazes de perturbar até o mais valente dos leitores.

"Morar na cidade era uma contínua relação sexual, tão completa que aquilo que ele e sua mulher faziam na cama à noite parecia um aperto de mão. Morar na cidade era prosaico, sensual, inebriante. E à noite, a cidade era dele e ele era da cidade, e dormiam juntos como os mortos, ou como as pedras da plantação. Lá não existia vida, mas a lenta morte dos dias. E, quando o mal se instalou na cidade, o facto pareceu quase programado e natural. Era quase como se a cidade soubesse que o mal chegaria e a forma que assumiria."

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