quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Os Hóspedes, de Sarah Waters - Sinopse & Opinião [Bizâncio]

Os Hóspedes
Título: Os Hóspedes
Título Original: The Paying Guests
Autora: Sarah Waters
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 528

1922. Londres vive dias de tensão.
Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se.
A senhora Wray, e a sua filha Frances – uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona – vêem-se obrigadas a alugar quartos.
A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da «classe média», traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados.
À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama.
A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime.
Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticos e surpresas constantes.

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Um livro novo da Sarah Waters é sempre um livro que automaticamente entra na minha TBR. Desde que Os Hóspedes viu a luz do dia, eu mal podia esperar para o começar a ler.

Neste novo romance de Sarah Waters somos levados para a Londres pós Segunda Guerra Mundial, onde as feridas ainda mal começaram a cicatrizar. Temos a família Wray, amputada, da qual só sobrou a mãe e Frances, a nossa heroína. Como o dinheiro não faz face a todas as despesas, as Wray vêem-se na obrigação de engolir o orgulho e alugar parte da casa. Aí entram em cena os Barber, um casal novo. Leonard vai deixar Frances confusa e uma amizade improvável e com repercussões inimagináveis une Frances e Lilian. Este é um livro cuja leitura, para mim, se arrastou. Queria tê-lo acabado ainda em 2016, mas só o consegui fazer nos primeiros dias de 2017. No entanto, não se arrastou por ser uma leitura aborrecida ou desinteressante - muito pelo contrário. Os Hóspedes é de tal maneira intenso e poderoso que eu quase que não queria acabar de ler, para manter este sentimento de assombro.
A narrativa, em si, acaba por ser um pouco previsível, mas há certos momentos-chave na história que vos vão deixar de cabelos em pé. Um dos pontos altos do livro deixou-me completamente estupefacta, pois apesar de haver muitas soluções a rondar o ar, nunca pensei que a autora fechasse o assunto daquele modo. Lamento soar tão enigmática, mas certamente quem leu o livro saberá do que estou a falar. Quem não leu... do que estão à espera? Sarah Waters mostra a sua perícia a escrever uma trama fantástica e hipnotizadora, não deixando ao leitor outro remédio que não seja continuar a ler.
Gostei bastante da forma como a autora ilustrou o ambiente daquela época. Os preconceitos da classe alta, juntamente com os preconceitos de ex-soldados, a revolta, o medo, a raiva... Quase que consegui sentir um pouco de Dickens ao ler sobre os mais pobres.
O que mais me incomodou neste livro foi Frances, sinceramente. Apesar de ser uma personagem fantástica, achei que por vezes tinha atitudes muito infantis e bastante teimosas. A sua necessidade de cumprir os seus desejos, correndo bastantes riscos, deixou-me com os nervos em franja. Só me apetecia entrar pelas páginas dentro, dar-lhe um par de estalos e gritar-lhe Controla-te mulher!

Tirando isto, nada de novo. Sarah Waters a escrever uma história maravilhosa? Sim. Sarah Waters a criar personagens verídicas e apaixonantes? Sim. Uma leitura obrigatória? Sim, sim, sim!
Aventurem-se com Os Hóspedes, que mereceu o título de Livro do Ano por alguma razão.

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