A Síndrome de Peter Pan, de Eliana Pyhn - Sinopse & Opinião [4 Estações]

outubro 16, 2017

A Síndrome de Peter Pan
Título: A Síndrome de Peter Pan
Autora: Eliana G. Pyhn
Editora: 4 Estações Editora
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 208

O relacionamento apresentado neste livro mostra uma realidade que inúmeras mulheres enfrentam na vida quotidiana, tanto real como virtual, ao encontrarem parceiros portadores da Síndrome de Peter Pan.
E é, precisamente o que vivemos hoje, uma sociedade carente de adultos, de referências maduras e de verdadeiros líderes, mas, saturada de comportamento adolescente.
Uma sociedade de Peter Pans vive à margem do mundo real, caminhando sem rumo e sem propósito, resultando na estagnação de toda uma geração.

**********************

Ao início não ia ler este livro, por ser tão diferente daquilo que normalmente leio. Dei uma vista de olhos pela novidade editorial e automaticamente marquei como não, mas passados uns dias estava intrigada com o que seria isto da Síndrome de Peter Pan. O nome soa extremamente romântico, e depois de uma rápida pesquisa, fiquei muito curiosa com o livro e com a síndrome em si. O facto de só afectar homens (maioritariamente) deixou-me ainda mais com a pulga atrás da orelha e o meu não automático tornou-se num sim muito grande e ansioso.

Tão ansioso, que li este livro num único dia.

A Síndrome de Peter Pan conta a história de Diogo e Virna, dois estranhos separados por um oceano e cujos caminhos se cruzam nos emaranhados da internet. Da sua relação aprendemos o que é esta síndrome, como se manifesta consciente e inconscientemente. A nível da história em si, pouco mais há do que isto - capítulos curtos, com as suas trocas de mensagens e e-mails e depois sempre com uma análise final, que denotava os pontos altos de como a síndrome se estava a instalar. Confesso que por vezes esta análise pareceu-me desnecessária, pois o conteúdo das mensagens andava um pouco à volta do mesmo e por vezes os capítulos eram tão curtos que a análise acabava por cortar um bocadinho o ritmo de leitura.

Não achei a relação das duas personagens muito natural, o que me fez distanciar-me um pouco do livro em si. Chamem-me antiquada ou qualquer outra coisa, mas a forma como os dois se envolveram, quase instantaneamente, e as condições, não me convenceram. O tema em si é extremamente interessante e tem pano para mangas, mas achei que a relação de Virna e Diogo deveria ser mais explorada. Mesmo assim, não deixei de apreciar a leitura e sem dúvida que aconselho este livro.

É muito raro fugir à minha zona de conforto no que toca a livros, mas neste caso, ainda bem que o fiz. Desconhecia por completo esta síndrome e sem dúvida que, apesar de a sua teoria ter aparecido pela primeira vez em 1983, sinto que a cada ano que passa se torna cada vez mais actual. Pelo que pude perceber, não há evidências de que esta síndrome seja uma doença psicológica real, e por isso não está referenciada nos manuais de transtornos mentais(*), mas de certeza que todos nós conhecemos um Peter Pan - e até que ponto é que seremos capazes de ler este livro e de reconhecer em nós o Peter Pan? Aqui fica o desafio!

Mais uma vez, uma edição de muito bonita, com a parte gráfica do início dos capítulos muito bem trabalhada e que torna a leitura mais agradável. Um pequeno grande livro, com muito para aprender e uma leitura que vale definitivamente a pena.

You Might Also Like

0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.