[Opinião] A Canção de Tróia, de Colleen McCullough

fevereiro 23, 2018

A Canção de Tróia
Título: A Canção de Tróia
Título Original: The Song of Troy
Autora: Colleen McCullough
Editora: Difel
Ano de Publicação: 468

A Canção de Tróia reinventa a trágica e terrível saga da Guerra de Tróia, uma história com três mil anos de existência – uma história de amores que ignoram barreiras e de ódios nunca mitigados, de vingança e de traição, de honra e sacrifício.

Tão viva e apaixonante como se fosse contada pela primeira vez, a narrativa é assumida pelas vozes das diversas personagens: Príamo, rei de Tróia, condenado a tomar as decisões erradas pelos motivos certos; a princesa grega Helena, uma beldade que é escrava dos seus desejos e que abandona um marido enfadonho pelo amor de outra beldade, tão escravo dos seus desejos como ela – o príncipe Páris de Tróia; essa máquina de guerra perseguida por uma maldição que é Aquiles; o heroicamente nobre Heitor; o subtil e brilhante Ulisses; Agamémnon, o Rei dos Reis, que consente o horror a fim de lançar ao mar os seus mil navios e que, por isso mesmo, atrai a inimizade da sua sinistra mulher, Clitemenestra.

Porém, onde termina a loucura humana? E onde começa o impiedoso castigo dos Deuses? As personagens fascinam o leitor, levando-o a sentir simpatia ora pela Grécia, ora por Tróia, à medida que cada uma delas avança inexoravelmente para um desfecho que nem mesmo os Deuses podem evitar.

Um fabuloso e irresistível romance de Colleen McCullough que nos revela o inesquecível poder de uma história que mergulha fundo nas raízes da cultura ocidental e que continua viva três milénios depois.

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O nome de Collen McCullough não me era desconhecido e tinha alguma curiosidade em ler algo seu. A Celtic-a-Thon do ano passado (!) deu-me a desculpa necessária para pegar neste livro.

A Canção de Tróia relata-nos a Guerra de Tróia, onde se deu um dos planos mais brilhantes e mais conhecidos da História: a invasão da cidade, usando soldados escondidos dentro de um cavalo de madeira gigante. A História não pode ser re-escrita e pouco mais há para acrescentar a este episódio, que culminou na vitória dos Gregos. Mas a autora conseguiu tornar este relato em algo bem mais interessante do que uma simples crónica de guerra - apesar de, por vezes, algumas cenas chegarem a ser aborrecidas e repetitivas, tornando esta leitura morosa e cansativa.
Eu gostei do livro, da forma de contar a história, se bem que ao início foi complicado conseguir encontrar um ritmo de leitura agradável, sendo cada capítulo narrado por personagens diferentes e, por vezes, com consideráveis saltos temporais. Mas senti que havia capítulos desnecessários, com pedaços de história que não faziam propriamente falta, o que me fez cansar um bocado mais rápido da leitura.
Sem dúvida, a história de Aquiles, no meio de todas, foi a que mais gostei, principalmente depois de Briseida aparecer na narrativa. Apenas conhecia a lenda do calcanhar de Aquiles, mas mesmo a sua origem deixou-me maravilhada.

O ponto alto de A Canção de Tróia é precisamente a sua profundidade relativamente a mitos e lendas, misturada com o rigor e precisão históricos, e que resulta numa trama fascinante, que apenas peca pelo seu comprimento.

Também gostei muito da história de Ulisses que, a par de Aquiles, tornaram-se as minhas personagens de eleição.

Esperem uma leitura complicada, mas ideal para os amantes de História. Colleen McCullough ficou, definitivamente, no meu radar.

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2 comentários

  1. Olá,

    A minha escritora favorita a juntar-se a Juliet Marrilier e Robin Hobb, o que mais gostei nesta escritora foi a serie 1º Homem de Roma, brilhante mas há outros livros bem interessantes como Pássaros Feridos e Tim.

    Este livro perdi na camioneta imagina :(

    Bjs e boas leituras

    Bom ano :D

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    Respostas
    1. Eu bem me parecia que tinha de haver alguém que me tinha deixado com curiosidade acerca desta autora, agora descobri: foste tu! :) Já nem me lembrava :)

      Homens de Roma... tenho de lhe dar uma oportunidade. Tu és uma terrível influência... eu com a minha TBR anual mais ou menos definida, eis que apareces e pimbas, pega lá mais um livro para te deixar indecisa :P

      Que dor, perder o vídeo na camioneta :(

      Beijinhos e bom ano! Obrigada pela visita ^_^

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.