[Opinião] Trilogia Slated, de Teri Terry

fevereiro 09, 2018

ReiniciadosFragmentada (Slated, #2)Despedaçada (Slated, #3)
Títulos: Reiniciados, Fragmentada e Despedaçada
Série: Slated
Autora: Teri Terry
Editora: Farol Literário
Ano de Publicação: 2013, 2013 e 2014

As lembranças de Kyla foram apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?

Kyla não deveria se lembrar de nada quando foi reiniciada. Mas segredos do seu passado atormentam sua mente. Presa em uma luta contra a opressão dos lordeiros, e ansiando por liberdade, Kyla vê seu passado e presente colidir de uma forma que ameaça sua vida. Enquanto sua busca desesperada por Ben continua, em quem ela poderá confiar em um mundo repleto de segredos e mentiras?

Kyla foi Reiniciada: sua memória foi apagada pelo Opressivo governo dos Lordeiros. Mas, quando lembranças proibidas de um passado violento começam a aparecer, surgem também dúvidas: ela pode confiar naqueles que passou a amar, como Ben? As autoridades querem a morte de Kyla. Com a ajuda de amigos no DEA, ela vai a fundo, sondando seu passado e fugindo. A verdade que ela busca desesperadamente, no entanto, é mais surpreendente do que ela poderia imaginar. Ao final do terceiro volume desta aclamada série, os mais profundos e imprevisíveis segredos serão revelados.

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Esta trilogia estava na minha lista a ler há muito tempo. Finalmente, consegui meter-lhe as mãos em cima e rapidamente li os três volumes. Apesar de ter ficado um pouco aquém do que esperava, continua a ser uma leitura bastante interessante e que gostei.

Reiniciados mostra-nos uma realidade distópica, onde os jovens com passados violentos são reiniciados, sendo programados para agir de acordo com o que se espera deles - e é assim que Kyla entra na nossa vida, uma rapariga sem nenhuma pista do seu passado, com um cérebro desenhado para agradar os que a rodeiam e domar os seus instintos. Claro que Kyla tinha de ser diferente e mesmo o ambiente em que se reintegra não podia ser simples, e isso traz alguma emoção à história. Houve algumas revelações que me deixaram com a pulga atrás da orelha, e aquele final foi simplesmente brutal. Eu estava a gostar muito da personagem do Ben e, assim que acabei de ler o livro, estava ansiosa para descobrir o seu rumo e o impacto que isso teria na vida de Kyla. O facto de toda a história só levantar mil e uma questões deixa-nos uma vontade enorme de continuar a ler a trilogia.

Fragmentada traz a resposta a muitas das questões deixadas em aberto no primeiro volume. Uma coisa que me agradou foi ter dado uma explicação para o mundo e a sociedade se comportarem da forma como o faziam - apesar de não me ter agradado a 100% e não ser muito credível, pelo menos não era assim apenas por ser. A desconfiança instala-se cada vez mais e qualquer um pode ser o mau da fita - o que, até certo ponto, é bastante interessante, mas depois acaba por ser mais do mesmo: a acção não desenvolve por aí além, novos personagens e quem é bom e quem é mau, mais sonhos, mais recordações, mais mas afinal o que se passa aqui. Por fim, tenho de sublinhar novamente o final e Ben. Depois disto não podia esperar mais para ler o terceiro volume. Uma última palavra acerca de Fragmentada: Katran! Provavelmente, a minha personagem favorita até agora.

Despedaçada ata as pontas soltas, dá um fim à história, e traz tudo o que é esperado de um final: uma conclusão (perdoem-me a redundância), demasiado conveniente e não plenamente satisfatória. Ou então temos aqui o maior vilão de todos os tempos, capaz de pensar numa vingança a longo prazo de tal maneira. O desenrolar da história foi feito a um ritmo brutal, mas havia muitas questões por resolver, portanto é natural. Apesar de haver tanto para finalizar ainda, a história de Finley aparece de repente e, sinceramente, pareceu-me mais para encher chouriços e trazer mais drama a tudo - bastava Len ter comentado casualmente durante o encontro nas montanhas onde morava e a situação já não seria tão perigosa.
Não há muito a dizer sobre isto, tudo acaba mais ou menos como esperamos, com um pouco de previsibilidade à mistura. O Ben foi uma das personagens que mais me despertou curiosidade e depois a história acaba como acaba, o que para mim foi algo mais triste, mas certamente agradou a outros leitores. No entanto, gostava de ler um livro que se focasse na história do ponto de vista de Ben. O que poderá ele ter feito de tão grave? Onde é que ele esteve durante a maior parte do segundo volume? Que olhar esquisito é aquele?

No geral, gostei de ter lido esta trilogia, é uma história com pés e cabeça, mas com um conceito interessante e duvidoso. As leituras de realidades distópicas não são o meu forte e gostei da forma como Teri Terry construiu o controlo de massas através de um dispositivo que mede as emoções de quem o usa. Outra coisa que me fez gostar destas leituras foi a sensação constante de dúvida e incerteza, nunca sabendo que personagem é que era realmente má ou não (no segundo livro foi um bocado repetitivo mas no conjunto geral é um ponto a favor). Criar personagens que nos tocam de alguma forma para depois destruir a sua imagem é um dos pontos altos desta história, portanto preparem-se para algumas decepções. No entanto, não gostei dos heróis - aparecem do nada, salvam tudo de repente e depois tudo fica bem. Magia.
A história de Kyla, depois de três livros, apesar de bem construída chega a ser cansativa. Nos dois primeiros volumes ninguém sabe nada dela, apenas flashes do seu passado, e de repente no último há tanta revelação e confusão que nada acaba por ser o que aparece. Já agora, o que aconteceu com Steph? E Ellie? E será que Nico tinha algum interesse amoroso em Kyla?
Ponto bónus para as capas simplesmente brutais.

É uma leitura extremamente simples e o seu constante mistério deixa-nos agarrados às suas páginas. Mesmo que não seja uma leitura que tenha mudado a minha vida, gostei pelo ritmo rápido que impinge a um leitor sedento de respostas a tantas perguntas.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.