[Opinião] Os 13 Porquês, de Jay Asher

março 25, 2018

Os 13 Porquês
Título: Os 13 Porquês
Título Original: Thirteen Reasons Why
Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Ano de Publicação: 2009

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

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No ano passado andei numa fase de ler livros que deram origem, ou foram baseados, em séries. Depois de devorar e obcecar ver a série 13 Reasons Why, não descansei enquanto não li este livro de Jay Asher.
E aviso desde já: a série é, na minha modesta opinião, infinitamente melhor que o livro.

A premissa de Os 13 Porquês (ou em PT-PT, Por Treze Razões) começa com o suicídio de Hannah Baker, que decidiu gravar em cassete os treze motivos - e pessoas - que a levaram àquela triste decisão. As instruções são claras: cada pessoa presente nas cassetes deve ouvi-las e passá-las à seguinte. Se não o fizerem? Uma cópia das cassetes virá a público e muitos segredos, que deveriam manter-se esquecidos, serão do conhecimento de todos.
E eis que surge Clay Jensen, apaixonado por Hannah e que não sabe o porquê do seu nome estar naquelas cassetes. À medida que as cassetes são reproduzidas, vamos ficando emaranhados na espiral de desespero de Hannah... mas isso é porque eu vi a série.

Mais uma vez, afirmo: a série é perfeita; o livro, é bom.

No livro, a acção passa-se toda numa só noite; na série, há um intervalo de tempo bastante maior, o que ajuda a dar mais profundidade às diversas personagens e outro impacto nas diferentes acções de cada dia. A própria personagem de Hannah não parece passar de uma miúda caprichosa, sedenta de atenção; na série, os seus dramas são mais explorados, tornando-a mais real e não tão mimada.

Os 13 Porquês trata de assuntos bastante sérios, não se limitando às novelas adolescentes - culminando no assunto do suicídio que continua, por algum motivo, a ser um assunto proibido, vergonhoso, que ninguém quer falar. Falem, ajudem, preocupem-se, perguntem, não ignorem. Não acontece só aos outros. Não são sempre pancas da idade.
Apesar de Hannah, na narrativa, parecer apenas uma rapariga que procura atenção, a sua personagem é bastante curiosa, e sobretudo faz-nos pensar no mundo lá fora. Quem somos nós para julgar os motivos que levam as outras pessoas a tomar decisões tão drásticas? Não julguem. Hannah pode parecer supérflua e egoísta, mas há milhares de Hannahs nesse mundo fora que precisam de uma mão. Por mais estúpidas que sejam ou com prioridades esquisitas, não merecem ser deixadas para trás só porque alguém não vê o mundo da mesma forma.
Claro que às vezes isto parece que vira moda e há sempre pessoas idiotas o suficiente para ver algum glamour ou coisa que os valha nestas atitudes. Amiguinhos, até eu que sou uma pessoa dark af, consigo ver que não há nada de glamouroso nem engraçado nem superior no suicídio - a não ser que considerem estragar a vida de toda a gente à vossa volta um acto de glamour. Em vez de impressionarem quem vos rodeia por deixarem de ser um fardo para eles, impressionem a pedir ajuda. De certeza que quem vos rodeia vai preferir dar-vos a mão que meter-vos uma flor na campa.
Dito isto, Jay Asher abordou este tema de uma maneira brutalmente fácil de relacionar com os leitores. Uma escrita super simples mas que realmente mexe com as pessoas. Dá-vos algo em que pensar. E mesmo que a história não vá mudar a vossa vida, vai ficar convosco algum tempo.

Leiam o livro e depois vejam a série. Já vos disse que é fenomenal? Apesar de superior, ler o livro primeiro ajuda a ambientar a história, para depois vê-la a ganhar vida e a ser mais explorada por um elenco brutal - isto é o que eu teria feito se pudesse voltar atrás no tempo.
Dou-vos treze motivos para lerem o livro e verem a série:

1. O papelão de Katherine Langford como Hannah Baker.
2. O papel de Dylan Minnette como Clay. Como é que um miúdo que se divertia a fazer vines acaba a interpretar na perfeição um papel como uma carga emocional tão grande?
3. Brandon Flynn. ´nough said.
4. A revelação de Bryce.
5. O desenvolvimento de Clay.
6. Tony, o unhelpful Yoda - is that a crack about my height?
7. A história de Tyler, fantasticamente sombria.
8. Courtney, um novo ódio de estimação.
9. Aquele final! Tyler, o que é isso? Alex, o que aconteceu?
10. Kate Walsh. I love you so much.
11. A abordagem a tantos temas: gays, lésbicas, sexo, suicídio, drogas, álcool, dinheiro, problemas familiares.
12. O conceito em como a história é contada é uma ideia brilhante.
13. Ainda estão a ler isto? Corram a pegar no livro, leiam e vejam a série. Não se vão arrepender!

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.