[Opinião] Tash e Tolstói, de Kathryn Ormsbee

abril 19, 2018

Tash e Tolstói
Título: Tash e Tolstói
Título Original: Tash Hearts Tolstoy
Autora: Kathryn Ormsbee
Editora: Seguinte
Ano de Publicação: 2017
⭐⭐⭐

Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores — e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries.
Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica — ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?

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Ainda no âmbito da Read-o-Rama, um dos desafios era ler uma das sugestões escolhidas pelas quatro anfitriãs. Tirando o clássico Peter Pan, desconhecia as opções e acabei por escolher este livro um pouco à sorte.

Tash e Tolstói conta a história de Tash e dos seus quinze minutos de fama. Tash sonha em ser produtora de cinema e decidiu fazer uma adaptação de Anna Karenina para os dias de hoje, através de uma websérie transmitida no Youtube. Para isso Tash conta com a ajuda de Jack e Paul, irmãos, e os seus melhores amigos desde sempre. Tudo vai tranquilamente até que, de um dia para o outro, o canal começa a receber milhares de visualizações e o número de subscritores aumenta exponencialmente. Mas o que se terá passado? E, mais importante, como é que Tash vai lidar com esta nova fama, como é que as luzes da ribalta vão afectar a sua vida e interacções pessoais? Para além do mais, Tash esconde um segredo sobre si mesma... para além de ter uma paixão assolapada por Tolstoi.
Primeiro ponto: este é um livro super fácil de ler. Li-o em cerca de sete horas, com algumas pequenas pausas pelo meio. Talvez por isso seja mais fácil falar de Tash e Tolstói sem ser muito mázinha, talvez isso tenha sido a diferença entre as 3 estrelas que dei no Goodreads e não as 2 que poderia ter dado. Isto porque a história é... aborrecida. O segredo de Tash não é nada por aí além, embora perceba o impacto que tem na sua vida. Toda a questão à volta da websérie é mais do mesmo, chateiam-se por isto, por aquilo, depois está tudo bem, depois os egos entram em choque, e blá blá blá, mas nada de impressionante. Mesmo o interesse amoroso de Tash é bastante morno (e nem estou a falar de Tolstoi, esse é simplesmente esquisito). O que salvou este livro foi mesmo Jack, quando, de forma épica, traz Tash de volta à terra e percebemos que ali está um ponto decisivo na história, alguma coisa porreira aconteceu. Mas pouco mais há do que isso.

Há bastantes aspectos meh nesta história. A relação de Tash com a sua irmã, Klaudie. Eu sei o terror que uma relação entre irmãs pode ser, mas não consigo encarar a forma como se dão de uma maneira realista. É tudo bastante forçado, não parece natural. E mais tarde, a bomba que os seus pais detonam... é mais um momento meh, a juntar às reacções inexplicáveis das irmãs. A história de Tony também me pareceu bastante inacreditável, como se todas estas personagens fizessem parte de um círculo de harmonia e tudo acaba por se encaixar de forma incrível e benéfica para todos.
Por isso é que o facto de ter lido o livro rápido melhorou a minha opinião geral... se tivesse passado dois, três dias agarrada a esta história, ia lamentar profundamente o tempo desperdiçado.

Tash e Tolstói é uma história engraçadita e por vezes fofa, uma narrativa que se lê super fácil e rápido e com um final feliz (para alguns). Leiam por vossa própria conta e risco!

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0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.