[Opinião] Vermelho Como o Sangue, de Salla Simukka

abril 22, 2018

Vermelho Como o Sangue
Título: Vermelho Como o Sangue
Título Original: Punainen Kuin Veri
Autora: Salla Simukka
Editora: Novo Conceito
Ano de Publicação: 2014
⭐⭐⭐

No congelante inverno do Ártico, Lumikki Andersson encontra uma incrível quantidade de notas manchadas de vermelho, ainda úmidas, penduradas para secar no laboratório de fotografia da escola. Cédulas respingadas de sangue. Aos 17 anos, Lumikki vive sozinha, longe de seus pais e do passado que deixou para trás. Em uma conceituada escola de arte, ela se concentra nos estudos, alheia aos flashes, à fofoca e às festinhas dominadas pelos garotos e garotas perfeitos. Depois que se envolve sem querer no caso das cédulas sujas de sangue, Lumikki é arrastada por um turbilhão de eventos. 

Eventos que se mostram cada vez mais ameaçadores quando as provas apontam para policiais corruptos e para um traficante perigoso, conhecido pela brutalidade com que conduz os seus negócios. Lumikki perde o controle sobre o mundo em que vive e descobre que esteve cega diante das forças que a puxavam para o fundo. Ela descobre também que o tempo está se esgotando. Quando o sangue mancha a neve, talvez seja tarde demais para salvar seus amigos. Ou a si mesma.

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Só há uma coisa que me fez comprar este livro, e foi algo tão simples e estúpido como ter sido escrito por um autor finlandês. Eu tenho uma pequena grande paranóia com a Finlândia e, que eu soubesse, nas minhas estantes não morava nenhum finlandês. Bem, agora já mora.
A oportunidade de ler veio com a #ML122Dias, quando foi altura de escolher um policial. Era a altura ideal.

Vermelho Como o Sangue conta a história de Lumikki, que está na sua vidinha calminha, anda na escola, não se mete com ninguém e ninguém se mete com ela, até o dia em que entra no laboratório de fotografia apenas para encontrar notas de 500€ penduradas a secar. A partir daí, a vida de Lumikki vai dar uma volta enorme, desde descobrir os colegas que estão envolvidos com essas notas até à proveniência perigosa de todo esse dinheiro.
Apesar de ter achado uma história interessante, foi tudo um pouco... demais. Tudo acontece a Lumikki, ela é perseguida por este, por aquele, ela é que tem de fugir, ela é que tem de dar a cara, ela é que é o cérebro, ela é que é baleada, etc. etc. etc. Ao menos um bocadinho de variedade não fazia mal nenhum! No entanto, a história por trás do dinheiro, apesar de simples, está bem construída. É uma história fácil de acreditar (devo dizer infelizmente?), e a forma como se liga com personagens fulcrais ao longo da narrativa foi muito bem construída.
Lumikki irritou-me com a sua passividade. Não sei, algo nela não me conquistou a 100%. Talvez a aura de mistério que a rodeava e que nunca chegou a ser relevada na totalidade, talvez a sua mania de que era invisível e por isso conseguia fazer tudo, não sei. Penso que a mesma história com personagens mais cativantes, mais vivas, teria sido uma leitura mais agradável.
Para mim, o melhor da narrativa mesmo é a descrição da minha querida Finlândia. O frio, a neve, as casas quentes, as camadas de roupa, as árvores, as ruas... tudo. Ainda por cima li o livro depois de uns dias em Helsínquia, então aquela magia ainda estava comigo, e quase que podia sentir o frio nas páginas.

Apesar da minha implicância com Lumikki, eu gostei da história, gostei da forma como se desenvolveu e de como foi contada. Quando penso em Vermelho Como o Sangue, imagino-o como uma voz calma e baixa, tranquila, a contar a sua história, por mais violenta que por vezes se torne. Uma boa leitura para quem procura um policial simples e que nos lembre de casa.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.