A Hora das Bruxas, vol. I e II, de Anne Rice | Opinião

junho 25, 2018

A Hora das Bruxas I - As Vidas dos Bruxos Mayfair  - Vol.1 - Anne RiceA Hora das Bruxas II (Bruxas Mayfair, #2)
Título: A Hora das Bruxas
Título Original: The Witching Hour
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2009 (original de 1990)
⭐⭐⭐⭐⭐

Após desfilar a fascinante galeria de vampiros e múmias que a tornaram uma das mais famosas escritoras americanas, Anne Rice mergulha no universo da bruxaria em 'A hora das bruxas'. Anne Rice mistura com equilíbrio elementos góticos e modernos, numa narrativa romântica, de extrema crueldade, mas de paixões arrebatadoras. Em 'A hora das bruxas', a autora mais uma vez exorciza seus demônios e fantasmas, narrando a saga de uma família que em quatro séculos vive entre feitiçaria e forças ocultas. A família Mayfair é o ponto central de uma dinastia de bruxos, que cresceu e prosperou dedicando-se à magia negra. Entre os Mayfair, convive-se pacificamente com o incesto, os assassinatos e com o espírito meio divindade celta, meio demônio, chamado Lasher. O romance se desenrola cronologicamente para a frente e para trás, passando por Nova Orleans e São Francisco atuais e deslocando-se até o Haiti ou a um castelo na França de Luis XIV. As bruxas de Anne Rice não pilotam vassouras - são mulheres mafiosas, ocultas sob uma delicadeza fútil. Para elas, a bruxaria é a ciência mais confiável.
***
Continua a saga dos Mayfair, com suas tragédias e mistérios. Rowan toma posse da casa, da esmeralda e do legado. Mas, de quebra, leva também Lasher e sua maldição. Cabe agora a Rowan decidir-se entre o amor de Michael Curry e a sedução desse ser poderoso que quer ficar nesse mundo para sempre.

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Ler A Hora das Bruxas é algo que não se decide de ânimo leve - afinal de contas, estamos a falar de uma obra com mais de mil páginas e que se trata apenas do primeiro livro de uma trilogia. No entanto, há bastante tempo que queria conhecer este mundo da autora, dado a conhecer nas suas Crónicas, e assim preparei-me para uma viagem que demorou meses.

"Não importava que Deus no céu fosse católico, protestante ou hindu. O que importava era alguma coisa mais profunda, mais antiga e mais forte do que qualquer imagem dessas: um conceito do bem baseado na afirmação da vida, na repulsa à destruição, à perversidade, ao uso e abuso do homem pelo homem. Era a afirmação do humano e do natural."

A Hora das Bruxas conta a história das Mayfair, desde o primeiro registo de alguma vez terem existido, até a actualidade. Ao mesmo tempo, temos o presente, com Michael, o milagre, e Rowan Mayfair, a herdeira que desconhece o legado da família. O registo, todo feito pela Talamasca, é a coisa mais completa que possam imaginar. Para quem leu A Quinta Blackwood, acaba por saber uma ínfima parte desta história (o que acontece com Michael e Rowan, e também Julien tem bastante relevo), mas A Hora das Bruxas tem muito mais a dar.
Os capítulos são enormes e densos, mas a leitura é simplesmente deslumbrante. Quando comecei a ler, facilmente me esqueci que deveria estar a ler sobre bruxos (supostamente), no entanto lá andava eu perdida em páginas de histórias diferentes, histórias dentro de histórias, de uma complexidade tal que não chegou sequer a ser aborrecido. Quando o livro chega aos Arquivos, a leitura por vezes pode tornar-se mais confusa, pois chega a um ponto que são tantos e tanta coisa acontece que por vezes eu ficava incerta sobre quem era realmente quem. Apesar do condão da autora de criar personagens diferentes e únicas, são mesmo muitas e acabei, por vezes, de perder o fio à meada. Lasher é ainda um grande mistério, e a forma como o livro termina apenas dá vontade de começar a ler o segundo volume no momento a seguir.
O final do primeiro volume matou-me completamente. Eu não sei o que esperava da divisão dos livros, mas certamente não foi ficar assim tão a meio de repente! A vontade de mergulhar de cabeça no segundo volume era muito grande, mas tinha outros compromissos pela frente...
O segundo volume matou-me por outros motivos. Chegou a um ponto da história, depois do relato dos Mayfair terminar e Rowan e Michael seguirem a sua vida, em que simplesmente era mais do mesmo e, sinceramente, o que me vinha à cabeça na maioria das páginas é que aquele pessoal dava pesado nas drogas. Parecem trips estranhas e um bocadinho agressivas. Depois tudo é um drama, um exagero, pequenas coisas têm páginas sem fim dedicadas a si e isso tornou a leitura bastante aborrecida. Não fosse pela autora e tinha desistido. Depois há um momento na narrativa, quando uma lenda acerca das 13 Bruxas é contada, em que a história espevita um bocadinho, mas continua morna mesmo até ao fim.
No geral, é uma história e peras, mas definitivamente não eram precisas mil e tal páginas para a contar.

E já agora, o que se passou entre esta altura e a altura em que Rowan aparece nas Crónicas? Isso é algo que me intriga, e provavelmente irá dar-me o ímpeto necessário para continuar com a trilogia. Mas daqui a algum tempo... preciso de uma pausa das Mayfair e o próximo livro, Lasher, conta mais de 800 páginas.

Algumas passagens podem ser mais complicadas de assimilar, mas nem isso me chocou. A riqueza da escrita da autora, e até a sua naturalidade, são de tal modo que mesmo o tema de incesto não nos deixa tão enojados.

Apesar da história maçuda, enorme, por vezes exasperante das bruxas Mayfair, definitivamente recomendo a leitura de A Hora das Bruxas. É um mundo criado por Anne Rice bastante complexo, e, apesar de tudo, ler esta autora é para mim sempre um prazer. Mas para quem não conhece a escritora, por favor, não comecem por este menino 😅

"Volte para casa, Rowan. Estou à espera."

Ps.: Obrigada pelas férias que me obrigaste a tirar da leitura. O segundo volume arrastou-se tanto que estive pouco mais de uma semana sem conseguir ler mais que meia dúzia de páginas de outro livro. Ressaca ou necessidade de uma pausa? 😏

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.