Cinder, de Marissa Meyer | Opinião

junho 27, 2018

Cinder (As Crônicas Lunares, #1)
Título: Cinder
Autora: Marissa Meyer
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2013 (original 2012)
⭐⭐⭐⭐

Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

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Há livros dos quais nós fugimos durante bastante tempo, pelos mais variados motivos. No meu caso, fugi de Cinder como o diabo da cruz por causa de todo o hype à sua volta, foi na altura em que tudo o que era fantasia distópica era considerado o novo Shakespeare, toda a gente lia e adorava, e eu não estava para ir por aí – não correu bem com o fenómeno Twilight, nem com o das 50 Sombras, tudo indicava que esta moda, comigo, fosse pelo mesmo caminho. Só agora é que me lembrei de pegar em Cinder, ainda que muito a medo, mas depois de ler a sinopse com atenção, lá decidi dar-lhe uma oportunidade.

Cinder é um retelling da Cinderela, mas com diferenças bastante acentuadas na história. Estamos num mundo muito diferente do nosso actual, depois da Quarta Guerra Mundial, onde os ciborgues são algo comum mas vistos, normalmente, como o lixo da sociedade. É nesta sociedade que Cinder vive, enquanto esconde o facto de parte de si ser precisamente ciborgue. Adoptada por uma família de humanos, o seu pai morreu e a sua mãe/madrasta/guardiã não a suporta e fá-la trabalhar para as despesas da casa. Tem duas irmãs, uma má e uma boa, e ainda Iko, um androide pequenino com quem se dá muito bem. A sua complicada história familiar (qual Gata Borralheira) mistura-se com o desespero da doença mortal da sua irmã Peony e do príncipe Kai entrar na sua vida, o que a vai levar numa aventura da descoberta das suas raízes e de segredos e reviravoltas.
Gostei mesmo muito deste livro. Apesar de no início estar um bocadinho reticente com todo o imaginário de robots (coisa da qual nunca fui fã), gostei bastante mesmo de como a historia se desenrolou. Cinder é uma personagem bastante interessante e torci sempre por si, de cada vez que as coisas se complicavam para o seu lado. As personagens foram bem desenvolvidas, mas Cinder, Kai e o Dr. Erland têm um espaço especial reservado para eles.
A forma como a narrativa se desenrolou também me agradou bastante. Não só fiquei surpresa quando me vi a gostar de uma história com ciborgues e androides e coisas assim, como Marissa Meyer mete lá para o meio a raça dos Lunares (que sim, vêm mesmo da Lua) e eu a adorar tudo! Não houve nada que me desagradasse nesta história, nada que me parecesse despropositado ou forçado. Uma história bastante inteligente e com uma leitura super fluída, assim como personagens adoráveis. O que pode haver para não gostar?

O final de Cinder era um pouco esperado. No entanto, nem isso me incomodou: apenas me deu mais vontade de pegar no volume seguinte. Estou muito curiosa para saber como é que Cinder vai lidar com a sua mais recente descoberta... e como é que Kai entra nisso tudo.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.