Leitura Conjunta | Rock, de Anyta Sunday | Opinião

novembro 05, 2018

rock
Título: rock
Autora: Anyta Sunday
Editora: Sunday Publications 
Ano de Publicação: 2014
⭐⭐⭐

Igneous.

When Cooper’s parents divorce, he finds himself landed in Week About—one week with his mum and one week with his dad.
Only, it’s not just his dad he has to live with. There’s Lila, too: The other woman, the one who stole the rock-solid foundation of his life. 
And then . . . 
There’s Jace. Lila’s son. Lila’s smug, regurgitated-fish-scale-blue eyed son. 
All Cooper wants is to have his family back the way it once was, but there’s something about this boy that promises things will never be the same again. 

Sedimentary. 

Resisting the realities of his new life, Cooper and Jace get off to a rocky start. But rocky start or not, after hundreds of shared memories together, they forge something new. A close . . . friendship. 
Because friendship is all they can have. Although it’s not like they are real brothers. Technically, they’re not even stepbrothers . . . 

Metamorphic. 

But how does that friendship evolve under the pressures of life? 
Under pressures of the heart?

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Há uns tempos atrás alguém me disse que eu este ano ando a ler muitos livros com romances homossexuais, e a minha reacção foi simplesmente ficar impávida e serena. A verdade é que não estou a ler muitos, mas em relação a outros anos que a contagem era 0, é natural que este ano sinta de facto uma diferença neste tema.
A verdade é que, assim que li a sinopse de Rock, quis imediatamente ler o livro, acabando por o devorar numa questão de dois ou três dias.

"I glance at the hook he's tying around his neck. It had to be a hook because I want to reel him in. Even if I can't or won't, it'll be nice to see hope hanging from his chest.
Jace stuffs the empty velvet bag into his poclet and stands up. I follow. Outside the cave, Jace turns to me. He doesn't hug me. In fact he keeps his distance. The creek babbles. Birds chirp. And then his words. His promise.
'I'll never take it off.'"

Rock conta a história de como a vida de Cooper muda depois dos pais anunciarem o divórcio e o seu pai sair de casa para viver com a segunda família que há tanto escolhera, deixando para trás Cooper, a mãe e a irmã. Para além das consequências desta decisão, Cooper descobre ainda que a mentira do pai é maior do que pensava, pois de repente depara-se com uma realidade que envolve um meio-irmão, Jace, pouco mais velho do que ele. À medida que o tempo passa e Cooper se adapta à sua nova vida, apercebe-se que os sentimentos que nutre por Jace são muito diferentes de fraternais, levando-o a percorrer um caminho tortuoso e pouco ortodoxo.
Portanto, já estão a ver onde isto vai dar. O Cooper vai-se apaixonar perdidamente por Jace, o que se vai tornar num mega problema em todos os sentidos. Como é que a sua história vai acabar?
Primeiro ponto: eu adoro pedras, e adorei o cuidado que a autora teve ao iniciar cada capítulo com uma pedra diferente. Normalmente relacionadas com a vida de Cooper naquela fase ou momento, foram um detalhe delicioso e que ajudaram a tornar este livro um bocadinho mais especial.
Não foi, no entanto, o suficiente para me fazer adorar uma história que tinha tudo para me conquistar.
Segundo ponto: what the hell Anyta. Estava à espera que o assunto obviamente tabu e sensível fosse ter um foco principal e simplesmente não teve. A cada página que lia esperava ansiosamente pela batalha que ia ser esta relação; à medida que o livro se aproximava do fim, também as minhas esperanças iam diminuindo e, quando acabei a leitura, ficou aquele sentimento de vazio por não ter chegado aos calcanhares das minhas expectativas. Vá lá, o conflito moral da relação de Cooper com Jace foi o que me fez querer o livro!
Terceiro ponto: senti que a progressão temporal de Rock foi demasiado rápida: nas primeiras páginas todos se odeiam, pouco tempo depois toleram-se e logo a seguir são BFF's. Fiquei com a sensação de que algo se perdeu no meio, algo que permitisse perceber melhor Jace.

Portanto: eu gostei do livro, mas houve muita coisa que ficou aquém do que eu esperava, principalmente a não exploração do conflito psicológico do amor proibido. Isso e eu não consegui acreditar no Cooper e no Jace como um casal - podem descobrir as razões neste link do Goodreads e ler a parte escondida pelos spoilers para perceberem o porquê.
Por não acreditar nesta relação e esperar algo mais intenso a nível psicológico ao falar-se de quase incesto que este livro quase quase levou 2 estrelas e esteve muito longe de levar as 4. As 3 estrelas foram devido a pequenos pormenores como os capítulos terem os nomes das pedras, a Annie e a Lila, e a forma como os personagens no geral se dão bem.

Leiam, mas não esperem algo que vá abalar os pilares da vossa moralidade.

"I'd rather be in the purgatory of love than the hell of loss."

Leitura Conjunta do grupo Read-along do Goodreads (visitem aqui)

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.