A Um Deus Desconhecido, de John Steinback - Opinião

janeiro 12, 2013

Desafio Literário 2013 - Janeiro


Já acabei de ler o livro! No geral, gostei imenso dele. A história em si não é muito desenvolvida nem muito complicada, aliás, ao ler a sinopse, sabe-se a história toda. Tem mais dois ou três acontecimentos para além da sinopse, mas é basicamente isso.
Mas a maneira como está escrito... é deliciosa. Foi complicado escolher as partes mais bonitas, as passagens mais marcantes; pensei mesmo que ia ser impossível com este livro, pois até as mais simples descrições estão lindas! A poesia desta escrita é maravilhosa. Destaco também dois momentos mais divertidos, mas isso fica no segredo dos deuses =)
Mesmo assim, há duas passagens de destaque:

"Com a sua hora a aproximar-se, ela tornara-se cada vez mais possessiva em relação ao marido. Queria-o sentado junto de si durante todo o dia e toda a noite, e queixava-se um pouco quando ele tinha de trabalhar.
- Estou para aqui sem fazer nada - dizia. - A ociosidade requer companhia.
E ele replicava:
- Não, tu estás a trabalhar.  - Porque conseguia ver mentalmente o que ela estava a fazer. As suas mãos desocupadas jaziam-lhe no regaço, mas os ossos construíam ossos, o sangue destilava sangue e a carne moldava carne. Ria-se ao pensamento de que ela se encontrava desocupada."


" Joseph reflectiu vagarosamente nisso... a vida não pode ser cortada repentinamente. Uma pessoa não pode estar morta enquanto as coisas que alterou não tiverem morrido. Os efeitos que provocou constituem a única prova de que esteve viva. Enquanto se conservar uma recordação, ainda que dolorosa, uma pessoa não pode ser posta de parte, morta. E pensou: 'É um longo processo lento a morte de um ser humano. Nós matamos uma vaca e ela fica morta logo que a sua carne é comida, mas a vida de um homem só morre da mesma forma que uma vaga num charco, em pequenas ondas, que se espalham e recuam em direcção à tranquilidade'."

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.