Eusébio Macário, de Camilo Castelo Branco

janeiro 23, 2013




"Eusébio Macário é um boticário da região de Basto, no Minho profundo, que sabe de cor as mezinhas e remédios para todos os males. Mas é também um exemplo de sujidade, boémia saloia e devassidão. A filha, Custódia, é uma moça roliça, gorda, penugenta, cheia de “desejos animais” e muitos ardores, “com cheiros de mulher suspeita”.
O filho, José Fístula estudara para padre, onde se tornara devasso, bêbado e cliente de prostitutas sujas e mal-cheirosas. Voltara para casa pobre esfarrapado e tornara-se auxiliar do pai. Tocava fados que faziam tremer as nádegas do pai, animando os serões etílicos do pai e do padre.
O padre Justino vive com Felícia (“é ela abaixo de Deus”), uma mulheraça frescalhona, farta de carnes e seios intumescidos, a quem se agarrou quando duvidara da existência de Deus, acreditando que o Céu estava roto por causa da vitória dos liberais. Mais que mulherengo, é boémio e devasso, não se contentando com as frescuras de Felícia. Tornara-se herói quando matou um lobo a tiro e até foi promovido a abade e disputado por políticos com ambições eleitorais.
O abade, já de carnes amolecidas, atormentado por irritações, congestões, enterites e hemorróides não deixa de deitar o olho a Custódia, gabando-lhe as curvas roliças.
O irmão de Felícia, Bento, chegado do Brasil, é bruto e ignorante, gordo e feio. Mas desdenha do “país atrasado”. Recebido com honras de fidalgo, é feito comendador e espera o título de Barão.
Com o casamento de Custódia com o Barão Bento, Eusébio Macário, José Fístula, Felícia e Custódia tornam-se membros da mais fina sociedade nortenha."
(sinopse retirada daqui)

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.