Dezanove Minutos, de Jodi Picoult - Opinião

fevereiro 13, 2013


Título: Dezanove Minutos
Autor: Jodi Picoult
Editora: Civilização Editora
Páginas: 532
Curiosidade: Já li e reli tantas vezes... que a cor em Dezanove Minutos, capa e lombada, já não existe...

Sabem aquelas coisas estranhas, de quando não querem reler um livro, e ao passar os olhos na estante, esse livro chama, e chama, e chama?... Pois, Dezanove Minutos tem esse poder sobre mim. Chega a ser enervante... Este livro mexe imenso comigo. Mas vamos por partes.

A história é emocionante. Um tiroteio numa escola e as consequências do mesmo numa pequena comunidade, em que os adolescentes são apenas isso, adolescentes, que procuram o seu lugar na sociedade do liceu (e lugar esse que, quanto mais alto for, melhor). Como se não bastasse o impacto e choque que esse tiroteio nos causa, Jodi Picoult, talvez com um requinte de malvadez, transporta-nos entre um presente caótico, assustador, sufocante, para um passado mais leve, mais distante e mais seguro. E faz isso com tal mestria que quando viajamos ao passado, passadas umas páginas já nos esquecemos do terror que nos aguarda. Já descontraímos e, relaxados, crescemos com Josie e Peter. E de repente viramos a página e somos atirados aos leões, leões esses disfarçados sob a forma de presente. É cruel.
No entanto, esta habilidade de Picoult em Dezanove Minutos é um dos factores que mais me fazem adorar este livro. Apesar de já conhecer a história, fico irremediavelmente perdida no passado e zangada quando chego ao presente, zangada comigo própria por não me lembrar de que era tudo muito mais horrível.
As personagens são todas especiais e fulcrais, bem descritas e cada qual com os seus devaneios e medos, tão reais que se assemelham a quase toda a gente que conhecemos. Mas não é só a escrita e a narrativa que me fazem reler este livro vezes sem conta. Já para não falar da reviravolta final. É brilhante. Talvez se apercebam a meio do livro ou até antes, mas eu só me apercebi quando ela aconteceu. Brilhante!

Entrando num campo um pouco mais pessoal, este livro faz-me lembrar tempos em que estudei no Secundário, e era costume termos o nosso "cristo"... um dia, uma colega minha disse-me que nós não tínhamos noção do mal que lhe estávamos a fazer, de como o gozo que dávamos o destruía. Isso fez-me repensar tudo e aperceber-me que estava a ser uma idiota, e apesar de nunca lhe ter pedido desculpa, e apesar de o tempo e a distância nos ter afastado, só gostaria que essa pessoa que magoei soubesse que realmente lamento o que fiz e que de cada vez que releio este livro, é em ti que estou a pensar e na imbecil que fui.

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1 comentários

  1. Olá,

    Este é um livro que vou querer ler e se possível ainda este ano, tenho ouvido muito bons comentários ao livro e tenho quem me empreste, penso que sabe sempre bem ler um livro deste género, faz-nos bem ;)

    Mas o problema é que já tenho vários emprestados e tenho imensos meus que quero ler, mas serviu para me lembrar mais uma vez que ando a passar ao ao lado de um livro muito bom

    Bjs

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.