[Desafio Literário M] - O Jardim das Sombras, de Mark Mills - Sinopse & Opinião [Civilização]

abril 25, 2013

O Jardim das Sombras


Título: O Jardim das Sombras
Título Original: The Savage Garden
Autor: Mark Mills
Editora: Civilização
Ano de Publicação: 2008
Número de Páginas: 314

O encantador jardim renascentista de uma villa italiana esconde um mistério. O passado e o presente encontram-se em duas histórias de amor, vingança e assassinato separadas no tempo 400 anos...
O jardim da Villa Docci, no coração da Toscana, dedicado à memória da jovem esposa de um nobre do século XV, é um mundo misterioso de estátuas, grutas, trilhos serpenteantes e epígrafes clássicas, que poderão ocultar uma mensagem secreta. O jovem Adam Strickland, da Universidade de Cambridge, parece ser a pessoa certa para decifrar o mistério. Viaja para a Itália e conhece a família Docci, tão sedutora como a villa que habita e o respectivo jardim. Mas a Itália do pós-guerra ainda é um local estranho e perigoso, e os Docci parecem esconder alguns esqueletos no armário… Será que uma nova tragédia irá ter lugar na amaldiçoada Villa Docci?

No início este livro demorou umas páginas para me convencer. No final, fiquei maravilhada como a história se desenrola e acaba e como as aparências iludem neste Jardim! O início não foi muito do meu agrado pois tinha expectativas um pouco altas depois de ler a sinopse, e revelaram-se furadas. Esperava uma narrativa dos assassinatos diferente, em tudo: nas personagens, no tempo, nas razões. Mas depressa fui levada noutra direcção.
O Jardim Memorial tratou de me embalar e esquecer a decepção com os assassinatos. Tal como acontece com o jovem Adam, o Jardim suga-nos e deixa-nos embrenhados nas suas histórias por contar. Dei comigo a pensar "afinal a trama não é X, é Y! [passadas umas páginas] Afinal é Y, o X está lá só para distrair! [passadas outras páginas] O X! Eu sabia que o X era o ponto central! [e no final do livro] Como é possível o Y ainda ser descoberto..." É. Confusos? Leiam o livro e entenderão. Mark Mills leva-nos de uma coisa à outra do livro, deixando-nos na dúvida qual é que realmente é a central, a mais importante. E chegamos ao fim com a sensação de dever cumprido por parte do escritor: não deixou nenhum pormenor de parte.
Para além do elemento da surpresa neste romance, todo o enredo é realmente muito bem pensado. Não desconfiamos de ninguém, e, quando o fazemos, sentimo-nos mal por isso. Todas as personagens são apresentadas de uma maneira afável e familiar, e não podemos acreditar quem no final vai ser o culpado (ou a culpada? Hmmmmm...) por trás de tudo. Um terceiro crime é-nos ainda apresentado, no seio familiar de Adam (mas está mal acabado, mal contado. Irão perceber porquê. E não, não tenho nada contra finais felizes, apenas considero que a realidade está muito longe deste desfecho em específico).
Um dos pontos fortes neste livro tem de ser a descrição. Tudo tão bem trabalhado, tudo tão bem pintado, que facilmente nos transportamos para a Toscana. E o Jardim Memorial, de longe o meu lugar favorito. Repleto de estátuas e insinuações, com erotismo, mistério, misticismo, à volta de si. A Villa Docci também deverá ser um lugar agradável para se viver ;)
Como ponto negativo, penso que Mark Mills talvez tenha exagerado na palha. Dei por mim a ler sobre a teoria de Darwin (! mas tem mais que se lhe diga, não conto para não estragar a história) e outros assuntos que penso não serem merecedores de ocuparem tantas páginas. Se ao menos tivessem alguma interferência na acção, ou explicassem algum ponto da história... No entanto, alguma desta palha é necessária, para quebrar o ritmo estonteante em que o Jardim nos envolve a partir de determinado momento. E uma anotação não muito favorável... Federico ou Frederico Docci? O nome aparece das duas maneiras.
Fiquei com uma sensação estranha de... modernidade. Passo a explicar: não sei se aconteceu/acontecerá convosco, mas ao ler O Jardim das Sombras esquecia-me constantemente que o mesmo era passado em 1958. Sinceramente, não sei se isto é bom ou mau, pois apesar de tudo não influenciou a leitura. Leiam e tirem as vossas conclusões!
Para finalizar, vale bem a pena ler este livro. Mesmo o princípio não sendo muito apelativo, todo o enredo complicado (e não se preocupem que o autor não deixa pontas soltas), os locais descritos, tudo é apaixonante. Para os amantes de Itália, no geral, deveria ser obrigatória esta leitura! Para os que adoram Florença, algo me diz que não vão gostar da personagem do Harry...

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"Não dês ouvidos aos políticos, olha sempre é para os artistas, são os primeiros a dizer-nos para onde vamos."

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2 comentários

  1. Olá miga,

    Ai tenho andado um pouco ausente, devido a uma constipação, mas está quase ultrapassado e claro isto fez com que ande sem paciência para ler, para comentar em locais onde gosto de vir e este é um dos casos.

    Logo que tiver oportunidade tentarei ler melhor o que tens publicado no blogue, mas gostei de ler este teu comentário ao livro, parece ser bem interessante, mesmo que o inicio não seja muito prometedor.

    Ficou na retina ;)

    Bjs e boas leituras :)

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  2. Olá!

    Espero que estejas melhor da constipação, e obrigada pela tua visita! :)

    Beijinhos

    ResponderEliminar

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.