[Desafio Literário N] A Estranha Vida de Nobody Owens, de Neil Gaiman - Opinião

abril 11, 2013

A Estranha Vida de Nobody Owens


Título: A Estranha Vida de Nobody Owens
Titulo Original: The Graveyard Book
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 299 

"Para onde quer que vás, levas-te sempre a ti próprio"

Quando decidi ler este livro, o blogue tinha meia dúzia de horas. Agora, que tem meia dúzia, e meia-meia dúzia de horas, pensei se realmente deveria ler este livro para o blogue. Não será demasiado infantil? perguntava-me eu. Mas como estava convencida que estava na altura da letra N para o Desafio Literário #2 (o que foi um erro muito grande... onde estão as letras L e M? hehehe), abri o livro. Mesmo assim, com um pé atrás. Não sabia bem o que me esperava,  e enquanto lia as primeiras páginas não conseguia livrar-me de um pensamento resistente de estar a perder o meu tempo. Mas como isso foi esquecido...
Vocacionado para um público infanto-juvenil, penso que este pequeno livro se adapta bem a qualquer idade. A sua história é muito simples, mas consegue chegar até nós com uma proximidade que nos é conhecida, permitindo-nos reviver o pequeno Nobody Owens que tínhamos (ou continuamos a ter) dentro de nós. Bod é criado num cemitério desde bebé. Sendo o cemitério o único sítio que conhece, ao longo do seu crescimento também a sua curiosidade aumenta, numa tentativa repetida de conhecer o mundo para lá dos muros. Só que esse mundo não é seguro.
Tal como podemos rever-nos no pequeno Bod, também as personagens, queridas e mais antipáticas nos podem ser familiares. E aqui há um aspecto bastante interessante, é que as personagens estão mortas. Isto é factual, e talvez evidenciar o óbvio, mas será tão óbvio quanto isso? Neil Gaiman traz-nos fantasmas vivos, que contribuem para o crescimento e desenvolvimento de Bod, tornando-os humanos, ao contrário do mundo dos vivos lá fora. Há que temer os vivos, os mortos não fazem mal  a ninguém... É uma dualidade bastante curiosa apresentada neste livro, e que dá muito que pensar.
O livro vem acompanhado de deliciosas ilustrações. Admito que o termo que eu utilizei possa ser muito subjectivo, mas penso que para além da técnica incrível dos desenhos, o seu ambiente adequa-se perfeitamente ao livro. Este foi sem dúvida um dos aspectos que mais gostei no livro, junto com a personagem da Liza, pois vi nela reflectido o motivo pelo qual o preconceito (certo tipo de) não deveria existir (não posso adiantar mais detalhes para não correr o risco de inadvertidamente contar algo fulcral). A Estranha Vida de Nobody Owens tem um fim muito triste, que envolve despedidas e mortes... muito triste!
Concluindo, este livro não é propriamente inovador: vemos o crescimento e a evolução da personagem principal, como o mundo e a sua percepção do mesmo muda; temos aventuras por terras estranhas e criaturas ainda mais estranhas; temos personagens que ficam e vão; temos lições aprendidas, passagens divertidas, passagens mais sombrias e outras quase românticas. Mas é a maneira como Bod nos consegue tocar e transportar para o mundo escrito por Neil Gaiman que me fez gostar tanto deste livro, e a maneira como uma coisa normalmente mórbida consegue de repente ser-nos contada como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Para os meus leitores que se entendem com o inglês, deixo-vos aqui o trailer do livro, narrado pelo próprio Neil Gaiman. Se procurarem "The Graveyard Book" no Youtube, encontram também todo o livro disponibilizado em audio-book, narrado também pelo Neil (ou podem carregar aqui e irem directos à playlist).


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3 comentários

  1. Olá!
    Deixei-te um selo no meu blogue: http://howtoliveathousandlives.blogspot.pt/2013/04/bloguivismo-selo.html :)

    Beijinhos e boas leituras!

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  2. Ois,

    Gostei do que li, pena não me dar bem com o Inglês.

    Embora ainda só tenha lido um livro dele e tenha o Bons Augurios por ler, considero um grande escritor, sem duvida ;)

    Bjs

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  3. Olá Mónica! Já respondi ao teu selo, obrigada por te teres lembrado de mim!

    Fiacha, eu pensava que não ia achar o livro nada por aí além, mas realmente enganei-me. Mal posso esperar para ler mais coisas de Neil Gaiman! :)

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.