No Tempo das Fogueiras, de Jeanne Kalogridis - Opinião

abril 14, 2013

No Tempo das Fogueiras

Título: No Tempo das Fogueiras
Título Original: The Burning Times
Autora: Jeanne Kalogridis
Editora: Saída de Emergência
Ano de Publicação: 2006
Número de Páginas: 352

Este livro não me convenceu, de todo. Provavelmente a culpa foi minha, por ter criado grandes expectativas à volta dele; caíram todas por terra. Na capa pode ler-se Fazendo lembrar As Brumas de Avalon Jeanne Kalogridis oferece-nos uma grande história de amor e compaixão e talvez tenha sido este pormenor que tantas expectativas criou em mim. Mas vamos por partes!
A história, no geral, é uma história... gira. Eu sei que este adjectivo é um pouco primitivo mas a história não passa disso: gira. Uma poderosa bruxa que se torna abadessa e que depois é condenada ao fogo, enquanto o seu inquisidor morre de desejos por ela. Mas todos os detalhes que se entrelaçam na história pareceram-me um pouco fogo de vista (e, sinceramente, um pouco ridículos) e não me agradaram. Os círculos mágicos, a invisibilidade (?), até a reviravolta final era esperada. Eu só queria chegar ao fim do livro e, mesmo tendo acabado de o ler há algum tempo, so agora arranjei coragem para o comentar. É provavelmente dos piores livros que li este ano.
A história da personagem principal é uma história igual à de muitas heroínas: teve uma vida relativamente mediana, mas nos momentos que passava com a avó era feliz. E quem era a avó? A Bruxa-Maior, pois claro. E depois morre este. E depois morre aquele. E depois ela foge destes. E depois é atacada por aqueles. E depois é presa. Mas foi porque quis. E depois há uma série de pormenores que eu não posso revelar pois comprometia o elemento surpresa do livro, mas que na minha opinião não fazem sentido nenhum.
Depois temos o próprio ambiente do livro. Não me consegui relacionar com ele. A escrita não me encantou, como esperava que o fizesse. Não me senti envolvida em nenhum cenário, não me senti ligada com nenhuma personagem, não senti carinho, ou admiração, ou nojo, não senti nada. E o problema é mesmo, não senti nada a ler este livro. A não ser aborrecimento e decepção.
É claro que sendo um livro da Saída de Emergência, é da praxe ele ser esteticamente muito apelativo, e é. Mas lamento dizer que para mim esse é o ponto alto do livro.
Muito provavelmente a culpa é minha e este livro é fabuloso: mas esperava mais, muito mais.

"A fé é uma teia de aranha. À nascença, estamos no seu centro, olhando para centenas de caminhos que se espalham à nossa volta. O nosso destino verdadeiro está no final de um deles, e só de um. Podemos inicialmente não escolher o percurso certo, ou outros podem interferir para nos desorientar, mas é sempre possível parar e mudar de direcção para chegar ao verdadeiro Caminho. Na verdade, é possível andar por centenas de caminhos que não são o nosso, e depois, no final da nossa vida, cruzar de fio em fio até ao fio de seda e chegar finalmente ao nosso melhor destino."


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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.