Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 10 - Carta para Alguém com Quem não Falas tanto quanto Gostarias

maio 10, 2013


Sexta-feira, 10 de Maio

Querida Denise

Espero que esta carta a encontre bem. Eu sei que não lhe tenho dirigido tanto a palavra, mas estou numa luta interior aqui em casa com a sua adorável filha, Vitória. Sinto que ela já não me ama. Ou é da maneira como me olha, ou da maneira como me toca, ou do modo como me fala, ou do modo como não me fala. O pior mesmo é a presença dela. Está comigo e, simplesmente, não está. Estarei a fazer sentido? Releio estas palavras e pareço um louco apaixonado a falar, mas é a mais pura das verdades, estou desesperado e mais nada sei que possa fazer para lhe agradar.

Já pensei que a nossa doce Vitória pudesse estar a carregar o nosso herdeiro, mas entretanto apercebi-me que estava errado. Dou voltas e voltas à cabeça e não consigo encontrar explicações plausíveis. Será que tem um amante? Não me posso acreditar em tal coisa; uma menina tão bem criada nunca seria capaz de tal, e para além do mais passa o dia todo em casa, e eu estou quase sempre por perto; quanto mais não seja, no laboratório. Talvez já não me ame; e esta possibilidade, terrível, que me dilacera por dentro, não me parece que faça sentido, pois trato-a com a mesma doçura e respeito de sempre, da minha parte nada mudou para de repente Vitória sentir tamanho asco pela minha pessoa.

Denise, pela nossa amizade perdida nos anos e nos tempos, rogo-lhe que me ajude. Tente descobrir a sua filha; encontre-a por mim, pois ela parece-me tão longe que jamais a voltarei a ver verdadeiramente. Mas por favor, traga-a de volta.

De um marido demasiado angustiado,
Germano

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.