Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 13 - Carta para Alguém que gostavas que te Perdoasse

maio 13, 2013


Segunda-feira, 13 de Maio

Querida Vitória,

O que tenho para vos confessar é tão terrível que temo não conseguir encontrar forma de amenizar a situação. Lamento tanto a morte do vosso pai e vosso marido, que não consigo explicar por palavras o quanto esses homicídios se entranham na minha alma e me destroem de fora para dentro. 

A morte de Germano... fui eu, Vitória. Não há maneira fácil de dizer isto. Foi tudo uma encenação combinada entre mim e o meu bom amigo Rodrigo, que corria risco de vida devido ao vosso envolvimento amoroso. Portanto, pareceu-me lógico eliminar o vosso marido da vida de todos, para que vocês os dois pudessem viver o amor que sentiam um pelo outro. Assim a ameaça desta terceira pessoa acabaria e talvez a vida de Rodrigo estivesse salva.

Mas não. O vosso pai não conseguiu ficar calado, mesmo não me vendo a cara. Sabendo que eu podia acabar com ele naquele momento, virou todas as suas forças contra mim. De algum modo ele sabia o motivo de eu estar a fazer aquilo, mesmo não sabendo quem eu sou. E eu não tive outra alternativa senão disparar sobre ele, também. Era um perigo Vitória; ele mataria Rodrigo se saísse dali vivo. Confessou já ter pago a um guarda que entretanto desapareceu para acabar com a vida de vosso amante, jurando ser ele próprio a terminar esse serviço. Não podia deixá-lo vivo Vitória.

Imagino a dor que isto vos terá causado e nada mais peço que o vosso perdão. Mas vendo bem a situação, verás que estais livre de estar com Rodrigo à vossa vontade, sem ninguém mais que vos incomode.

Um fiel amigo,
Eduardo

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.