Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 18 - Carta para a Pessoa que tu desejavas Ser

maio 18, 2013


Sábado, 18 de Maio

Mãezinha,

Em tempos difíceis viramo-nos para quem nos é mais querido e repensamos todas as nossas acções, das melhores às piores. Portanto mamã escrevo-lhe esta carta, pois não sabendo o dia de amanhã quero que saiba tudo o que guardo aqui dentro, que nunca foi dito por causa da certeza interior e irracional de que somos eternos.

Mamã, eu quero um dia ser como a mamã é. Penso não haver nada mais simples e poderoso que lhe possa alguma vez dizer: quero ser como a mamã. Aguentou tanto ao longo de todos estes anos, e no entanto continuou a ser a minha mãe, sempre. Mãe, esposa, senhora. Mesmo quando o Miguel morreu, a mãe não se esqueceu da sua outra filha, e guardou as suas lágrimas para quando apenas o nada pudesse assistir. As horas de espera intermináveis pelo papá, em que vinha para a minha beira com um sorriso e me lia histórias junto ao lago, ou íamos apanhar flores, mas eu agora sei que a mamã apenas tinha medo que as experiências do papá um dia rebentassem com a casa. Lembra-se daquele dia em que saímos de manhã cedo e só voltamos ao jantar? Comemos laranjas das árvores e bebemos água do riacho, banhamo-nos no lago e secamos ao sol... a mamã nunca deixou de estar comigo. E mesmo com o papá, não aprovando o que ele fazia, a mamã era sempre tão compreensiva. Em casa toda a gente gostava de si... É um verdadeiro exemplo e eu espero um dia conseguir fazer jus ao estatuto de sua filha.

Querida mãezinha, não é agora com mais este doloroso golpe que vamos deixar de ser quem somos. A Emília convidou-me para ir passar uma temporada com ela, que acha a mamã de vir comigo? Ia fazer bem às duas. Aguardo uma resposta!

Da sua filha que tanto a quer,
Vitória

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.