Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 20 - Carta para a Pessoa que mais partiu o teu Coração

maio 21, 2013


Segunda-feira, 20 de Maio

Querido Rodrigo,

Uma vez mais escrevo-te, mas será a última. Tudo o que tinha a fazer por ti fiz: salvei-te a vida. Haverá algo mais importante do que isto? Salvei-te a vida. O mínimo que te pedia era um pouco de carinho, um pouco de atenção. Mas não, tudo isso está reservado para Vitória. Devia tê-la assassinado quando tive a oportunidade, mas sei o que isso te faria; e, sobretudo, não te iria fazer voltar para mim.

Partiste-te o coração quando não me pediste em casamento. Ambos sabíamos que era o passo a seguir e tu, simplesmente, não o deste. Deixaste-me para trás como se tudo o que vivemos não tivesse sido mais do que um passar de tempo agradável. Penso que nunca irei recuperar totalmente, uma pequena parte de mim gostará sempre de ti. Mas por agora resta-me desejar que Vitória te faça feliz. Isto, claro, se ela alguma vez te quiser ver outra vez.

Da minha parte, já esperei tempo demasiado. Amanhã com o nascer do sol parto destas terras para nunca mais voltar. O falecido Filipe não teve hipótese de vir reclamar o dinheiro e Denise nunca mo pediu para o devolver. Portanto vou partir e nunca mais volto, e apenas tu sabes disto. A personagem Artur vai desaparecer e Clara voltará de vez. Mas peço-te um favor, Rodrigo. Salvei-te a vida, portanto peço-te que contes esta história aos meus pais, mas apenas no leito da morte de cada um, e em privado. Não quero que morram a pensar que eu fugi com alguém. Quero sim que eles saibam a verdade e que morram a saber que a sua filha salvou a vida de um homem.

Ainda tenho de fazer as malas. Portanto, penso que é o adeus...

Até sempre,
Clara

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.