Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 4 - Carta para o teu Irmão (ou parente mais próximo)

maio 05, 2013



Sábado, 4 de Maio

Querida Filha

O que acabas de me contar é vergonhoso, mas também não posso deixar de me comover com o teu relato. Sempre soube que o Germano não era homem para ti, e apesar de manchares a tua honra, está feito, e nada o pode apagar da tua vida. Não sei o que hei-de fazer, para já; dá-me uns dias e voltar-te-ei a enviar uma carta com alguns pensamentos.

Não te preocupes com o teu pai. Quando recebi a tua carta estava fora, não suspeitou de nada e, que eu me tenha apercebido, ninguém aqui em casa comentou o facto de eu ter recebido uma carta tua ao papá. Mas, antes de acontecer algo mais grave, com certeza irei lembrar-me de alguma desculpa a dar, caso haja necessidade de tal.

Não posso terminar a carta sem te perguntar se já ouviste o novo escândalo aqui da cidade. Lembras-te da menina Clara, filha do dono do escritório ao fundo da nossa rua? Era assim uma mulher quase solteirona, com uma figura franzina e simples, de certeza que te lembras. Desapareceu! De um dia para o outro, deixou de estar em casa. Deixou tudo para trás, e agora consta-se que terá fugido com algum daqueles estrangeiros assustadores que por vezes passam pelo nosso país, aqueles com o cabelo indecoroso. E por aí, alguma novidade que me queiras contar?

Uma vez mais, o teu segredo fica guardado comigo minha filha.

Desta que te é a mais próxima,
Denise

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.