[Desafio Literário Maio] A Vingança de Joana D'Arc, de María Elena Cruz Varela - Opinião

junho 01, 2013

A Vingança de Joana D'Arc
Título: A Vingança de Joana D'Arc
Título Original: Juana de Arco - El Corazón del Verdugo
Autora: María Elena Cruz Varela
Editora: Saída de Emergência
Ano de Publicação: 2007
Número de Páginas: 190

A escolha do mês de Maio para este livro não foi fácil. Tinha alguns autores que queria ler, mas esta Vingança de Joana D'Arc, que já por aqui andava há algum tempo, continuava a chamar-me. Lembro-me de que, algures no passado, já tinha lido este, e não tinha percebido nada, nem tinha gostado muito. Tive até a sensação, enquanto o lia, que nunca cheguei ao fim do livro na primeira leitura. Decidi dar-lhe uma segunda oportunidade.

Esta obra está dividida em duas partes: a primeira é O Caderno de Notas de Anna Magdalena, e a segunda é Joana D'Arc O Coração do Verdugo. Mas em nenhuma das partes li realmente um relato de Joana D'Arc, a não ser do julgamento. Pensava que o livro se centraria mais nesta personagem, e na sua história, e não tanto nas fugas e assassinatos posteriores.
A primeira parte passou-me completamente ao lado. Era dividida entre o hoje - O Caderno de Notas de Maria Magdalena I, II e por aí fora - e o ontem da história - Visitações. Porquê que o hoje existe? Não faço a mínima ideia. Admito que não compreendi nada desta parte da história, a não ser que é um casal com problemas (e nunca consegui perceber a 100% qual dos elementos do casal é o narrador, ou se o são ambos em alturas diferentes) e que um deles escreve livros, e começa a sonhar com as Visitações. Não tenho sequer a certeza de que estas ideias estejam correctas, mas foi assim que eu percebi. Nas Visitações, começamos a viajar no tempo e a assistir ao assassinato de um padre, a captura de um outro e a sua tortura, e de um segredo incrivelmente bem guardado. O que é que isto tem a ver com Joana D'Arc? Pois.
A segunda parte é de longe bem mais interessante. Para além do casal do primeiro capítulo ser praticamente esquecido, foca-se mais no tema deste livro, em Joana D'Arc. Entre O Caminho do Desfalecimento e O Coração do Verdugo, somos apresentados aos dias finais da heroína, ao plano levado a cabo para esta poder ser queimada na fogueira sem protestos. Apesar de não ser o tipo de história que eu idealizara, tem um ritmo muito mais trágico e intenso, e chega efectivamente a ser uma boa segunda parte, com uma história concreta e um final, apesar de previsível, bom.

Portanto, apesar de ter sido uma desilusão no que toca à história que eu tinha antecipado, e da primeira parte não me agradar, continuo a achar que pela segunda parte, até que vale a pena. É um livro pequeno, portanto a tortura não é assim tão grande. A parte estética é lindíssima, a divisão dos capítulos sempre me agradou. E, se o lerem, agradecia se me conseguissem explicar o que é que o Bach tem a ver com a história.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.