O Filho das Sombras, de Juliet Marillier - Opinião

agosto 25, 2014

O Filho das Sombras (Trilogia de Sevenwaters, #2)
Título: O Filho das Sombras
Título Original: Son of the Shadows
Série: Sevenwaters
Autora: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Ano de Publicação: 2002
Número de Páginas: 462

Voltar à floresta de Sevenwaters um ano depois da leitura de A Filha da Floresta é como regressar a casa, de certa forma. O reencontro com um lugar tão especial e personagens tão únicas desperta em mim esse sentimento, e foi com nostalgia e saudade que me voltei a perder em Sevenwaters com O Filho das Sombras.

Neste segundo volume da saga conhecemos Liadan, filha da inesquecível Sorcha, cujo futuro se adivinha repleto de duras provas e decisões difíceis. Liadan é raptada, mas os seus raptores não são quem aparentam ser... e a sombra de Lady Oonagh ainda paira sobre tudo. Liadan apaixona-se pelo Homem Pintado, mas o que poderá advir desta união? Mais uma vez Juliet Marillier cria dois personagens excelentes, uma história de amor trágica e imensamente bela. É impossível passar-lhe ao lado.
Há um momento no livro que eu não me recordava ao certo. Sabia que ia acontecer, mas não me lembrava como... a morte de Sorcha, ainda uma das personagens mais bonitas de O Filho das Sombras. Confesso que chorei ao ver Sorcha partir, quase como se de facto ela estivesse para lá das páginas. Juliet é mais do que uma escrita bonita e bons ambientes e bonitas histórias de amor; Juliet é isto, criar personagens que nos tocam e nas quais quase conseguimos tocar.

Ao ler O Filho das Sombras tive uma sensação de déjà vu, e não foi só por ter lido o livro há uma década. Juliet foi uma das minhas maiores inspirações para escrever, e ao ler este livro, com a história já praticamente apagada da minha memória, vi uma história, que ainda hoje tenho, escrita por mim na mesma época, e em tudo semelhante a esta. Que vergonha! A minha admiração já era tal que o fiz... e já nem tinha memória de tal. Mas foi esse livro inacabado e que jaz na gaveta (e que é realmente mau) que hoje me leva a escrever, com mais ou menos regularidade.

Voltando ao livro em si, O Filho das Sombras vem consolidar o universo criado por Juliet e dá-lhe outra dimensão, quase mais palpável; uma história não tão comovedoramente trágica mas igualmente triste e desesperante. Deixa de ser a leitura natural e de continuação de A Filha da Floresta, e passa a ler a leitura necessária e obrigatória, pois esse é o sentimento que Sevenwaters queima no nosso ser leitor: a necessidade de querer mais, muito mais.

"(...) um medo que nos atinge quando menos se espera. Quando se ama assim, fica-se refém da sorte."

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4 comentários

  1. Viva,

    Reler livros, como eu gostava de ter tempo para poder faze-lo e este seria um dos universos que teria muito gosto em voltar a ler, fizeste muito bem :D

    Acho tens ai um valente spoiler, a morte da Sorcha, mas pronto já muita gente deve saber :D

    Bjs e boas leituras

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    1. E acredito que esta não será a última re-leitura de Sevenwaters, amigo :)

      Eu cheguei a pensar nisso, que seria um spoiler, mas pronto... é a ordem natural das coisas, tendo em conta a família, e a Sorcha é mortal, portanto... ^^

      Beijinhos

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  2. Nossa...adorei esse livro, e sua opinião está muito boa, parabéns!!! :D
    http://ameninaeovento2.blogspot.com.br/

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.