D. Manuel II e D. Amélia, Cartas Inéditas do Exílio, de Fernando Amaro Monteiro - Opinião [Estampa]

setembro 28, 2014

D. Manuel II e D. Amélia, Cartas Inéditas do Exílio
Título: D. Manuel II e D. Amélia, Cartas Inéditas do Exílio
Autor: Fernando Amaro Monteiro
Editora: Editorial Estampa
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 412

Movida pela curiosidade acerca deste tema tão Português, não podia deixar de ler semelhante testemunho, e assim estas cartas vieram parar-me às mãos.

D. Manuel II e D. Amélia - Correspondência no Exílio correspondeu exactamente à minha expectativa inicial. Em consonância com o título, este livro mostra-nos a correspondência escrita entre o último rei de Portugal e várias figuras históricas , nacionais e estrangeiras, bem como de sua mãe, a rainha D. Amélia de Orleães e Bragança. Esta correspondência versa sobre temas diversos e oferece um grande espectro de conhecimentos da vida dos monarcas, após a saída de Portugal para o exílio, em Inglaterra, de D. Manuel II, e em França, no caso de D. Amélia.
As cartas enviadas e recebidas pelos soberanos abarcam um leque variado de temas.No plano privado, avultam por exemplo as dificuldades financeiras, a delicada questão da restituição do património pessoal da Casa de Bragança, as relações com as mais variadas figuras portuguesas e dos países de exílio. No plano público, as correspondências mostram-nos as difíceis relações com o novo regime instituído - a república -,bem como com os apoiantes da causa Monárquica. Ressaltam ainda os mais diversos contactos com a família real inglesa, seus ministros, dignatários, e demais figuras notáveis internacionais.
Por todo o livro é notório o interesse permanente dos monarcas em tudo o que dissesse respeito a Portugal, cuja vida seguiam atentamente, sem dele se alhearem em nenhum momento das suas vidas.
De todas as correspondências, aparece também evidente e muito claro, o prestígio e carinho de que gozavam em Inglaterra e França os monarcas exilados, alvos de um acolhimento digno de quem eram, e de um tratamento honroso e caloroso.

Assim, D. Manuel II e Rainha D. Amélia- Correspondência no Exílio, oferece-nos a possibilidade incomum de entender e conhecer mais profundamente as vidas do último rei de Portugal e de sua mãe, Rainha D. Amélia, sob uma luz real, desprovida de preconceitos, e elucidativa.

Leitura portanto altamente recomendável a todos quantos se interessem pelos momentos cruciais da vida portuguesa da primeira metade do Séc. XX.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.