Saída de Emergência - Entrevista a Sónia Louro - Pt. II

novembro 17, 2014

Segunda Parte
Pessoa e o Amor

Muitos poetas são de amor. Apaixonados e desesperados como Luís de Camões ou explosivos e românticos como Florbela Espanca. Fernando Pessoa é um deles?

Não, por certo que não. Fernando Pessoa tinha uma personalidade mais contida. É certo que Ophélia Queiroz testemunha que por vezes ele tinha uns “repentes de paixão”, mas eram episódios curtos e que se repetiram durante pouco tempo.

A sua relação com Ophélia foi, de facto, um namoro? E é mesmo verdade que Fernando Pessoa e os heterónimos conviviam em pleno dia?

Na cabeça de Ophélia sim, mas Fernando Pessoa queria manter secreto o que quer que tivessem… A 27 de Novembro de 1920, Fernando Pessoa escreve a pôr fim a algo que envolve amor… Além disso, durante um período de tempo, todos os dias ele ia esperá-la à saída do trabalho e também lhe mandava cartas apaixonadas diariamente. Ora isso eram coisas que os namorados daquele tempo faziam. Portanto sim, penso que teriam um namoro, mas creio que o nome exato não é o mais importante. Quanto aos heterónimos, há textos em que vários heterónimos e o ortónimo conversam e há encontros em que Álvaro de Campos vai no lugar de Fernando Pessoa, inclusive encontros com Ophélia.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.