Anel Oculto, de Anne Bishop - Opinião [Saída de Emergência]

janeiro 18, 2015

Anel Oculto
Título: Anel Oculto
Título Original: The Invisible Ring
Série: Jóias Negras
Autora: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Ano de Publicação: 2008
Número de Páginas: 355

Duas palavras: Anne. Bishop. Anne-Bishop. A simples menção deste nome faz-me ansiar pelo livro, sedenta da sua fantasia negra e complexa, com personagens ardentes e assustadoramente reais. Anne Bishop. Sim.

Anel Oculto! Óptima estratégia meter o eterno Daemon Sadi na sinopse, mas por favor, tirem-no. O livro é igualmente fantástico, mas assim não ficamos com um sabor amargo na boca por esperar mais seu do que meia dúzia de páginas. E sim, a sua participação é fundamental, mas... tirem-no da sinopse!
Neste livro ligado ao universo das Jóias Negras encontramos Jared, um Senhor da Guerra tornado escravo e comprado pela Senhora Cinzenta, a última rainha poderosa o suficiente para fazer frente à maquiavélica Dorothea. Mas o que esconde afinal o estranho lote de escravos comprados em que Jared se encontra? Quem é de facto a Senhora Cinzenta? E, acima de tudo, conseguirá - ou quererá - Jared ver-se livre do anel oculto?
Como já vem sendo habitual, Anne Bishop traz-nos uma história inteligente e bem concebida. Cheia de conspirações, foge um pouco às intrigas da corte e do poder (apesar das várias tentativas de assassinato da Senhora Cinzenta) e torna-se em algo mais rico e perigoso.
Jared é um homem atormentado e em sofrimento, o que se traduz numa personagem bastante interessante; já a Senhora Cinzenta deixa muito a desejar, bem desenvolvida mas difícil de gostar (coloca constantemente em perigo os outros, sempre que os tenta proteger, e é extremamente teimosa). A nível de personagens secundárias, é brutal. Tornam-se quase tão principais como as principais. Imprescindíveis e magistralmente construídas, com poderosas revelações que determinam o rumo da história.
Não há momentos mortos durante a narrativa - há sim o contrário, um crescendo de paixões que culminam de um modo violento e trágico. Bishop não se coíbe de matar personagens.
E depois há a parte em que entra Daemon Sadi, breve mal fulcral. Mais do que o seu envolvimento com Jared e a Senhora Cinzenta, é a cena que protagoniza com o guarda de Dorothea SaDiablo. Para mim, um dos momentos altos do livro.
É inegável a mestria da autora na escrita. Conseguimos ser transportado para as dimensões por si criadas num piscar de olhos. Tudo parece tão real e palpável que ao fecharmos o livro a sensação que fica é estranha, de deslocamento. Um livro que nos deixe com um sentimento tão pesado e tão profundo é certamente um livro a não perder.

Ligado às Jóias Negras mas passível de ser lido sozinho (embora eu não o recomende, pois a trilogia é uma leitura obrigatória), este livro é anterior à trilogia a nível cronológico, acontecendo antes do nascimento de Jaenelle.

Anel Oculto podia ser a típica história de amor e perda, vingança e dor, poder e esperança, mas não é tão linear quanto isso. Basta saber que foi Anne Bishop quem o escreveu.

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4 comentários

  1. Ois,

    Gostei do livro mas não é tão bom como os da trilogia, ainda assim escapa com a presença de Sadi ehehe, mas é isso é Bishop e quem tenha lido a trilogia das Joias Negras, vai gostar deste ;)

    Bjs e boas leituras

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    1. Concordo contigo amigo, não está ao nível da trilogia mas é uma leitura que não pode falhar aos fãs da autora. Mas pronto... é Bishop e está tudo dito :D

      Beijinhos

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  2. Ai as saudades que me deram ao ler esta opinião!
    Eu adorei este livro *u*
    Agora para continuares na onda desta história tens de pegar no "Aliança das Trevas" e depois no "Senhora de Shalador", que são ainda melhores <3

    Beijinho e boas leituras!

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.