World Wide Livro #29: Visitar Casas de Escritores Pt. I

fevereiro 21, 2015

Sugestões para os dias em que vos apetece fazer algo diferente e que vos marque? Visitem uma casa-museu, ou apenas museu. De qualquer coisa. Uma das minhas favoritas é, sem dúvida, casas-museu de escritores.


Casa-Museu Guerra Junqueiro, Porto

O palacete, datado de 1730 e atribuído a Nicolau Nasoni, está localizado na Rua de D. Hugo, nº 32, na cidade do Porto, e foi doado em 1940 pela família do escritor à Câmara Municipal da cidade, juntamente com o espólio do poeta, com a condição que lá fossem expostas todas as peças que tinham sido reunidas em várias viagens que o escritor fez.
Expostas no museu podemos ver uma colecção de arte sacra, faiança de Viana do Castelo, pratos de Nuremberga, cerâmicas e mobiliário.

Tenho de confessar que as colecções nem sempre me interessam, mas o edifício em si é algo que me marca sempre. Já visitei esta casa, é simplesmente linda. Atravessam a rua e têm algo (que sinceramente não me recordo do que é) relacionado com a casa e uma biblioteca, mas que não pude visitar pois já estava fechada.
Enquanto estão lá, aproveitem e visitem o Arqueossítio da Rua de D. Hugo. Vale bem a pena!
Para quem está longe, acedam aqui e façam uma pequena visita virtual.



Desde 1864 que a casa onde Almeida Garrett nasceu e passou os primeiros cinco anos de vida, situada nas traseiras da muralha gótica, ostenta na fachada, ao nível do 1.º piso, um medalhão em gesso, de sabor neoclássico, patrocinado pela Câmara Municipal do Porto, com a seguinte inscrição, em letras maiúsculas: "Casa onde nasceu aos 4 de Fevereiro de 1799 João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett / Mandou gravar à memória do grande poeta a Câmara Municipal d’esta cidade em 1864".
Situada na antiga Rua do Calvário, n.ºs 18, 19 e 20, actual Rua Dr. Barbosa de Castro, n.ºs 37, 39 e 41, não é visitável, penso eu (corrijam-me se estiver errada!).

45|06|08

Ultimamente alvo de polémica devido ao desinteresse da Câmara Municipal do Porto, a casa onde morreu o poeta António Nobre está em riscos de desaparecer.
"A casa está em risco de derrocada mas a mesma ainda pode ser sustida. Era importante que a Câmara adquirisse a casa e ali guardasse o espólio do poeta, guardado na biblioteca municipal, criando uma Casa Museu que pudesse funcionar como contraponto com a Casa Museu Fernando Pessoa, em Lisboa", palavras de Mário Cláudio, escritor e autor de uma petição feita à CMP para recuperar a casa.

Dúvidas sobre casa de Eugénio de Andrade marcam aniversário do poeta

Casa onde Eugénio de Andrade morou mais de uma década e que se encontra quase em disputa. Com a extinção da Fundação Eugénio de Andrade, a Câmara entendeu que cessaram igualmente os direitos dos habitantes da casa. Os herdeiros contestaram a acção e aguarda-se agora por uma decisão dos tribunais. Pelos vistos, enquanto esta decisão não for tomada, as outras habitações à espera de ser analisadas continuarão assim, à espera.

Situa-se na Foz do Douro, numa casa recuperada na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia. O espólio, que aparentemente continua lá, é verdadeiramente impressionante: um conjunto de cartas, manuscritos, traduções e edições raras do poeta, além de uma mostra de retratos seus assinados por artistas como Augusto Gomes, Júlio Resende, Armando Alves, José Rodrigues ou Lagoa Henriques.


Aquela placa ali, que ninguém vê, diz "Arnaldo Gama - Escritor Portuense - Aqui nasceu e faleceu - 1/8/1828 - 29/8/1869". Quantas vezes já passamos lá e nunca vimos nada? Também votada ao esquecimento...

Gostam deste tipo de visitas?

Fontes: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.