O Herdeiro de Antioquia, de Paulo Costa Gonçalves - Sinopse & Opinião [Chiado Editora]

abril 30, 2015

O Herdeiro de Antioquia
Título: O Herdeiro de Antioquia
Autor: Paulo Costa Gonçalves
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2014
Páginas: 222

No Verão de 2013 Lisboa torna-se palco de desconcertantes homicídios. O inspector Alexandre Melo mostrou-se desde sempre céptico quando às provas incriminatórias, no entanto tudo se altera quando passa a ser o principal suspeito. Em parceria com Amélia, uma agente da CIA, viaja a um passado nebuloso e dissimulado, por organizações como a PIDE, Inquisição Espanhola ou os Arquivos Secretos do Vaticano, onde se depara com o mais dos surpreendentes enigmas que ensombra desde há séculos gerações de uma família.

O Herdeiro de Antioquia para além de um romance ficcional criado a partir de um facto histórico, a Conquista da Cidade de Antioquia, uma das páginas mais negras e obscuras da história da cristandade e acorrida em 1098 aquando da 1ª Cruzada, é em simultâneo um romance vertiginoso e sagaz que tem a capacidade de nos surpreender a cada passo até ao derradeiro parágrafo. 

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Atraída pela sinopse que prometia um bom livro, e apesar de desconhecer por completo o seu autor, O Herdeiro de Antioquia foi verdadeiramente consumido em dois dias.

Extremamente fácil de ler e de seguir, este livro surpreendeu-me pela positiva. Apesar de não ter ficado completamente impressionada, foi uma boa leitura. Tem alguns aspectos que me incomodaram, mas no geral tenho de dar os parabéns ao autor por ter conseguido uma boa obra.
Como costuma acontecer, a sinopse promete um pouco mais do que devia. PIDE, Inquisição, Vaticano... são chamarizes mas que depois pouco ou nada são desenvolvidos na narrativa. No entanto, Paulo Gonçalves compensa esse aspecto mantendo uma narrativa viva e cheia de acção. A morte que resulta no afastamento de Alexandre da investigação por passar a ser suspeito apanhou-me de surpresa, forçando-me a querer ler cada vez mais. O autor conseguiu criar uma boa trama, apesar de o desfecho de tudo ser um pouco rebuscado. O final deixado em aberto promete... mas tenho a sensação que fica por ali. Com alguma pena, tenho de admitir.
Não gostei propriamente da personagem de Amélia. Isto é, não tenho nada contra a personagem em si, mas é demasiado forçada. Uma agente da CIA, assim do nada que aparece, ligada a pessoas fulcrais para deslindar tudo... É uma maneira fácil de justificar a presença de algumas personagens e o porquê de algumas acções terem lugar, mas gostava de ver algo mais elaborado.
O verdadeiro assassino é difícil de encontrar para o leitor, mas estando com atenção penso que é fácil chegar-se lá. Apesar de, durante a leitura, termos motivos para desconfiar de várias personagens, acredito que o autor tenha cometido o erro de dar demasiada importância a um pequeno pormenor que mais tarde se liga ao assassino. Apesar de só o ter percebido no fim, um leitor mais atento poderá chegar à conclusão mais depressa.

Aconselho claramente a leitura de O Herdeiro de Antioquia. Apesar de não ser uma leitura que me tenha deixado fascinada, é bem portuguesa e é bastante interessante. O livro é escrito de uma forma inteligente, tal como deve ser: qualquer personagem pode ser o assassino, e nenhuma personagem está a salvo. Estão prontos para embarcar numa aventura que já vem de há tantos séculos?

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0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.