Espada que Sangra, de Nuno Ferreira - Opinião [Chiado Editora]

maio 16, 2015

Espada que Sangra (Histórias Vermelhas de Zallar, #1)
 Título: Espada que Sangra
Série: Histórias Vermelhas de Zallar
Autor: Nuno Ferreira
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2014
Páginas: 676

Confesso que não ia ler este livro. Apesar da sinopse ser apelativa, lembrava-me um bocado o universo d'As Crónicas de Gelo e Fogo, e não me apetecia ler mais nada desse género que não fossem as Crónicas, pois ainda não as acabei. No entanto, e reparem que eu não sou muito de ligar a comentários acerca de livros que nunca li, comecei a ver falar tão bem deste livro que tive de o ler. Foi-me tão bem recomendado e aconselhado que passou a ter de integrar a minha estante e lista de leituras.

A minha hesitação nesta leitura é completamente infundada. A história de Espada que Sangra, apesar de não ser original, está muito bem desenvolvida e escrita. Aliás, foi esse um dos pontos mais fortes a favor deste livro. Fiquei bastante surpresa com a escrita de Nuno Ferreira, deliciosamente surpresa. É tão raro encontrar alguém que realmente saiba escrever hoje em dia...! O livro deste jovem autor é uma brisa de ar fresco bem-vinda, uma lição a muitos, e a prova que afinal ainda há quem trate do nosso Português. Apesar de ser um pequeno calhamaço, a forma como Nuno escreve ajuda-nos a voar entre páginas. Uma forma muito leve e bastante descritiva, mas uma descrição subtil e delicada; quando nos apercebemos, acabamos de ler meia dúzia de parágrafos e nem sequer notamos, tão embrenhados estamos para absorver todos os pormenores e saber mais.
Espada que Sangra tem uma história interessante e inteligente. Apesar de, e repito, não primar pela originalidade, a intriga desenrola-se de uma forma intrincada e que nos mantém presos nas páginas, querendo saber o que esconde A ou B e que decisões irão ser tomadas. Outro aspecto a juntar a uma boa trama é a incrível construção de personagens por parte do autor. São muitas, e no entanto são tão díspares entre si que se tornam facilmente identificáveis e fáceis de se envolverem com os leitores. Nuno Ferreira cria personagens dicotómicas, do meu ponto de vista: alguns traços agradaram-me, mas depois vem algo que não me permite criar uma empatia a 100% .
Como adepta de uma história de amor bonita e consistente, gostaria de ter visto este aspecto mais desenvolvido; no entanto, compreendo que o universo criado pelo autor seja uma realidade dura e crua, mais violenta e com pouco espaço para algo mais insubstancial. Mas veremos nos próximos volumes!

O único motivo pelo qual eu não adorei este livro foi porque estou um bocadinho cansada deste tipo de fantasia. Literalmente, guerra dos tronos... perdoem-me as comparações, eu nem me estou a referir ao clássico de George Martin, apenas aproveitando-me do seu famoso título: mas é mais acerca de guerras entre tronos, este entra em guerra com aquele por causa daquele território, e depois traidores não faltam, e etc. etc. etc. Somente este pormenor me impediu de realmente adorar Espada que Sangra.

Um reparo que necessito de fazer: um mapa no livro seria fundamental. Eu sei que o mesmo está online, mas isso não chega. Eu descobri o mapa por acaso, senão esta parte da opinião seria "alguém devia ter desenhado um mapa". Se for possível, integrem-no no próximo volume (que eu quero muito ler!). Podem encontrar o mapa aqui.

Certamente que o recomendo a fãs deste género. É um autor português com bastante valor e que seguramente ainda tem muitas cartas a dar e muita gente a surpreender. Leiam este seu primeiro volume das Histórias Vermelhas de Zallar, não se arrependem! Uma escrita preciosa e um enredo brilhante.

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4 comentários

  1. Olá, Nádia!!

    Desde já agradeço a partilha da tua opinião, que ajuda também a divulgar o meu livro. Fico muito satisfeito por ler as tuas palavras, e espero que os próximos volumes da saga te façam adorar o mundo de Zallar.

    Beijinho e boas leituras :)

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    1. Olá Nuno :)

      Aguardo os próximos volumes! E não tens nada a agradecer :)

      Beijinhos

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  2. Ois,

    Ainda bem que gostaste, sem duvida que é muito promissor o inicio desta saga e não me parece que seja mais do mesmo, mas tudo bem, compreendo o teu ponto de vista :D

    Bjs e boas leituras

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    Respostas
    1. Sabes quem é que me levou a ler este livro? Sabes que foste? :P

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.