A minha infância com livros

junho 01, 2015

E porque hoje é Dia Mundial da Criança!


O hábito da leitura pode-se ganhar em qualquer idade, mas já o povo diz que de pequenino se torce o pepino.

Quando eu era mais nova, o que adorava mesmo ler era a banda desenhada do Tio Patinhas e companhia, adorava e ainda hoje adoro, apesar de não ler há imenso tempo. O gosto pela leitura sempre esteve comigo; o primeiro livro que tentei ler foi Os Lusíadas, e não, não estou a brincar. Era o maior livro que tinha na estante, e já na altura o fascínio por calhamaços perseguia-me.

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Não percebi patavina. Desisti e dediquei-me antes a ver as belíssimas ilustrações do livro, uma edição fantástica que ainda hoje guardo com carinho. Provavelmente o meu afecto por Camilo Castelo Branco vem também dessa altura, pois a senhora que tomava conta de mim tinha apenas o livro de Camões e uma colecção completa de Camilo na estante.

Não houve nenhum livro que tenha marcado a minha infância. Li Uma Aventura, li fábulas, li Era Uma Vez... O Corpo Humano, li histórias da Disney, li Arrepios (que de todos os mencionados eram os que eu mais adorava)... Mas não houve assim nada que me tenha marcado verdadeiramente. Havia um livro que eu gostava mesmo muito, e li várias vezes, mas não me lembro qual o nome nem o autor. Sei que era um grupo de crianças e a aventura era no mar, e havia alguém no grupo - o pai de uma das crianças? - que gostava muito de pássaros. Alguém reconhece a história?

Depois na adolescência já é outra história... que fica para uma outra altura :)

E vocês, qual foi o papel da leitura e dos livros na vossa infância?

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.